quarta-feira, 18 de março de 2009

VIGÍLIA PASCAL: A MÃE DE TODAS AS VIGÍLIAS.


Esta é a definição dada por Santo Agostinho à noite que, "segundo uma antiqüíssima tradição, esta é a noite de vigília em honra do Senhor (Ex 12, 42). Os fiéis, tal como recomenda o evangelho (Lc 12, 35-36), devem assemelhar-se aos criados, que com as lâmpadas acesas nas mãos, esperam o retorno do seu senhor, para que quando este chegue os encontre velando e os convide a sentar à sua mesa". (Missal Romano, pg 275).
De acordo com Pe. Márcio Ribeiro com a chegada da noite, a Igreja entra no coração das celebrações da Semana Santa, pois a vigília pascal é o ponto alto de todo o ano litúrgico, a celebração mais importante na vida do cristão. "Nela celebramos o mistério da redenção humana", acrescenta o javista.
A celebração da Páscoa começava com uma vigília bastante extensa. Ao longo do tempo a vigília, especialmente no Ocidente, desenvolveu-se três feições novas: o batismo dos catecúmenos, a iluminação e bênção do círio pascal e a bênção do fogo novo. Por ocasião da revisão dos ritos romanos da Semana Santa (1955) incluíram a renovação das promessas do batismo.
A bênção da luz vem de origem da bênção judaica da lâmpada na véspera do Sábado, retomada pelos cristãos. A bênção do círio pascal era popular no Ocidente desde os sécs. IV e V. Aos poucos o círio único foi recebendo maior importância; certos cantos de louvor ao círio, laus cerei, já apareciam no final do séc. IV, sendo o atual Exultet, a sua versão galicana; deve-se inscrever no círio uma cruz, com cinco grãos de incenso para representar as cinco chagas de Cristo, segundo o Sacramentário Gelasiano, um documento dos sécs. VII-VIII.
A bênção do fogo novo e a procissão da luz distinguiam-se originalmente da bênção do círio pascal, segundo afirmações de Egéria, ao mencionar a procissão que carregava o fogo a partir do Santo Sepulcro até a Igreja, no começo da vigília semanal do Sábado (24,4). A bênção cerimonial do fogo novo na Vigília da Páscoa é de origem irlandesa. No séc. VIII, entrou na Alemanha. No séc. XII encontramos atestado esse rito, com predominância folclórico-religiosa nos países do norte.
Série Semana Santa nº 10

AS LIÇÕES DA QUINTA FEIRA SANTA


Aqui começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a Vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno.
Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes Sacramentos da Ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote; mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a Salvação que Ele conquistou com a sua Morte e Ressurreição.
Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.” (Lc 22,15).
Na celebração da Páscoa, após instituir o Sacramento da Eucaristia, ele disse aos Discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras Ele instituiu o Sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós… Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (Lc 22, 17-19)
Na noite em que foi traído, mais nos amou; bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.” (Jo 13,1)
Depois que Jesus passou por toda a terrível paixão e morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.
Aos mesmos discípulos ele vai dizer depois no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava assim instituída também a sagrada Confissão, o sacramento da Penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o seu Sangue.
Na noite da Ceia Pascal o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que no seu Reino “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver. Quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade, que o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva, é a que nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.
Nesta mesma noite Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que institui sobre Pedro e os Apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isto a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paula chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado ate´ hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17).
Que promessa maravilhosa: o Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que um dia a Igreja errou o caminho… Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado…
“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14, 25-26)
Na última Ceia o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.
E na mesma santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade...” (Jo 16, 12-13)
Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas assegura-lhes que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.
São essas Promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e de costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os Sacramentos da Eucaristia e da Ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, ele concluiu a obra que o Pai lhe confiou, antes de consumar sua missão na Cruz.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

LIVROS CIENTÍFICOS SOBRE A PAIXÃO E MORTE DE JESUS.


Há pelo menos dois livros sérios sobre a paixão e morte de Jesus, em português. O mais antigo, escrito há mais de trinta anos, é do medico e cirurgião francês Pierre Barbet que estudou o assunto durante 25 anos. O livro se chama “A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião” (Ed.Loyola, SP). No próximo artigo eu coloco um resumo da Paixão do Senhor segundo Dr.Pierre.
Outro livro recente, sério, científíco, é do médico legista americano Dr. Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Columbia, dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina.
Ele foi patologista-chefe do Instituto Médico Legal de Nova York durante 35 anos. As suas conclusões estão no livro “A crucificação de Jesus - as conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal”, recém-lançado no Brasil (Editora Idéia e Ação, 455 págs.).
Dr. Frederick, de 76 anos, é católico convicto, e realizou suas pesquisas com amor, devoção e respeito a Jesus Cristo, durante meio século de sua vida estudou a verdadeira “causa mortis” de Jesus. Escreveu três livros e mais de dois mil artigos sobre o assunto, todos publicados em revistas especializadas, nos quais revela como foi a crucificação e quais as conseqüências físicas, do ponto de vista médico, dos flagelos sofridos por Cristo durante as 18 horas de sua paixão.
O legista afirma que a “causa mortis” de Jesus foi parada cardiorrespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluidos corpóreos (choque hipovolêmico), isso combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos.
Para seus estudos Dr. Zugibe utilizou uma cruz de madeira construída nas medidas que correspondem às informações históricas sobre a cruz de Jesus (2,34 metros por 2 metros), selecionou voluntários para serem suspensos, monitorou eletronicamente cada detalhe.
Os seus estudos sobre a morte de Jesus começam no Jardim das Oliveiras, quando Jesus passa por sua agonia mortal; em seguida condenação, açoitamento e crucificação. O médico analisou o suor de sangue de Jesus no Horto das Oliveiras; segundo o legista, com o fenômeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte stress mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se então ao suor que é expelido pelo corpo.
Jesus foi vítima de extrema angústia mental e isso drenou e debilitou a sua força física até a exaustão total. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Dr. Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados. Em geral, eles tinham três tiras e cada uma possuía na ponta pedaços de ossos de carneiro ou outros objetos pontiagudos. A conclusão é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na Lei Mosaica), o que equivale a 117 golpes, já que o chicote tinha três pontas. As conseqüências médicas são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios, reduzida a uma massa de carne destroçada, ansiando por água, diz o legista.
Ao final do açoite, uma coroa de espinhos foi cravada na cabeça de Jesus, causando sangramento no couro cabeludo, na face e na cabeça. Os espinhos atingiram ramos de nervos que provocam dores terríveis quando são irritados. É o caso do nervo trigêmeo, na parte frontal do crânio, e do grande ramo occipital, na parte de trás. As dores do trigêmeo são descritas como as mais difíceis de suportar e há casos nos quais nem a morfina consegue amenizá-las.
Em busca de precisão científica, Dr.Zugibe foi a museus de Londres, Roma e Jerusalém para se certificar da planta exata usada na confecção da coroa. Entrevistou botânicos e em Jerusalém conseguiu sementes de duas espécies de arbustos espinhosos. Ele as cultivou em sua casa. O pesquisador concluiu então que a planta usada para fazer a coroa de espinhos de Jesus foi o espinheiro- de-Cristo sírio, arbusto comum no Oriente Médio e que tem espinhos capazes de romper a pele do couro cabeludo.
Após o suplício dessa coroação, amarraram nos ombros de Jesus a parte horizontal de sua cruz (cerca de 22 quilos) e penduraram em seu pescoço o título, placa com o nome e o crime cometido pelo crucificado, em latim, INRJ - Jesus Nazareno Rei dos Judeus. Jesus caminhou com a cruz, segundo Dr. Zugibe, oito quilômetros. Segundo ele, Cristo não carregou a cruz inteira, a estaca vertical costumava ser mantida fora dos portões da cidade, no local onde ocorriam as crucificações.
Ao chegar ao local de sua morte, as mãos de Jesus foram pregadas à cruz com pregos de 12,5 centímetros de comprimento. Esses objetos perfuraram as palmas de suas mãos, pouco abaixo do polegar, região por onde passam os nervos medianos, que geram muita dor quando feridos. Preso à trave horizontal, Cristo foi suspenso e essa trave, encaixada na estaca vertical. Os pés de Jesus foram pregados na cruz, um ao lado do outro, e não sobrepostos mais uma vez, ao contrário do que a arte e as imagens representaram ao longo de séculos. Os pregos perfuraram os nervos plantares, causando dores lancinantes e contínuas.
Preso à cruz, Cristo passou a sofrer fortes impactos físicos. Para conhecê-los em detalhes, o médico legista reconstituiu a crucificação com voluntários assistidos por equipamentos médicos. Os voluntários tinham entre 25 e 35 anos e o monitoramento físico incluiu eletrocardiograma, medição da pulsação e da pressão sangüínea. Todos os voluntários observaram que era impossível encostar as costas na cruz. Eles sentiram fortes cãibras, adormecimento das panturrilhas e das coxas e arquearam o corpo numa tentativa de esticar as pernas.
Dr. Zugibe analisou três teorias principais sobre a causa da morte de Jesus: asfixia, ruptura do coração e choque traumático e hipovolêmico. Ele afirma que a teoria mais propagada é a da morte por asfixia, mas ela jamais foi testada cientificamente. O cirurgião francês Pierre Barbet defende que Jesus morreu por asfixia, Zugibe classifica essa tese de indefensável sob a perspectiva médica.
Quanto à hipótese de Cristo ter morrido de ruptura do coração ou ataque cardíaco, Zugibe alega ser muito difícil que isso ocorra a um indivíduo jovem e saudável, mesmo após exaustiva tortura: Arteriosclerose e infartos do miocárdio eram raros naquela parte do mundo. Só ocorriam em indivíduos idosos. Ele descarta a hipótese por falta de provas documentais. Para ele a causa da morte foi o choque causado pelos traumas e pelas hemorragias. A isso somaram-se as terríveis dores provenientes dos nervos medianos e plantares, o trauma na caixa torácica, hemorragias pulmonares decorrentes do açoitamento, as dores da nevralgia do trigêmeo e a perda de mais sangue depois que um dos soldados lhe perfurou o peito, abrindo o átrio direito do coração.
Dr. Zugibe diz que os seus estudos aumentaram a sua crença em Deus: Depois de realizar os meus experimentos, eu fui às escrituras. É espantosa a precisão das informações. Ao final dessa viagem ao calvário, Zugibe faz o que chama de sumário da reconstituição forense. E chega à definitiva “causa mortis” de Jesus, em sua científica opinião: Parada cardíaca e respiratória, em razão de choque traumático e hipovolêmico, resultante da crucificação.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

A PAIXÃO DE CRISTO SEGUNDO O CIRURGIÃO.


O Dr. Piérre Barbet, cirurgião francês, estudou durante vinte e cinco anos a paixão de Cristo, à luz do Santo Sudário de Turim; após seus estudos escreveu um impressionante livro, com o título acima (Ed. Loyola), onde narrou os horrores que o Senhor sofreu na Cruz. Em seguida coloco um resumo dos seus escritos, pois relata bem o que se passava com Jesus.
“Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte. Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas, e o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produziu o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.
Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, entrega-O para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos… A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.
Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros; Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos e os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida sabe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.
O sangue começa a escorrer; Jesus é deitado de costas; as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego; quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.
Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu nada desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede… Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. É isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios.
A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável!
Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas, todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” E morre… Em meu lugar e no seu.”
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

A DESCIDA DE JESUS À MANSÃO DOS MORTOS


De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo (séc IV), de um autor grego desconhecido - Da Liturgia das Horas – II leitura do Sábado Santo
“Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam à séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Ele vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, e agora libertos dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levante dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”; e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te, obra de minhas mãos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra, e fui mesmo sepultado abaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi; para restituir-te o sopro da vida original. Vê nas minhas faces as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, a tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar dos teus ombros os pesos dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava voltada contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, constituído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade.”

O Catecismo da Igreja nos ensina que:

CRISTO DESCEU AOS INFERNOS

§632 - As freqüentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus “ressuscitou dentre os mortos” (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados.
§633 - A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o Sheol ou o Hades. Visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. “São precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos Infernos”. Jesus não desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido.
§634 – “A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos…” (1Pd 4,6). A descida aos Infernos é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a fase última da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta em sua significação real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, pois todos os que são salvos se tomaram participantes da Redenção.
§635 - Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10).
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

POR QUE CELEBRAR A SEMANA SANTA?


O maior acontecimento da História da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade deste acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, sobretudo os Santos e Santas se debruçaram sobre este acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.
Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3, 16)
São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as palavras aos romanos: “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós… Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.” (Romanos 5,8-10)
Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus humanado morreu por nós. O que mais poderíamos exigir de Deus para demonstrar a nós o seu amor? Sem isto a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por que?
Porque o homem pecou e peca, desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis que rompe nossa comunhão com Ele; e esta ofensa se torna Infinita diante da Majestade de Deus que é Infinita. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor Infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade a Deus. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar com o seu sacrifício esta ofensa infinita a Deus, então, o próprio Deus na Pessoa do Verbo veio realizar essa missão.
Não pense que Deus seja malvado e que exige o Sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz, por mero deleite ou para tirar vingança da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isto; esta lei não existe no meio dos animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Deus, mas à Justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; cada injustiça que nos foi feita será reparada no Dia do Juízo.
Nisto vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1, 26).
A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus. “ (Hebreus 10,5-10).
A Semana Santa celebra todos os anos este Acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o seu resgate das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (Rom 6,23).
Mas agora Jesus nos libertou; “pagou o preço do nosso Resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz. (Col 2, 12-14)
Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Jesus; a pia batismal é portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua Justiça. É por isso que na Vigília Pascal do Sábado Santo renovamos as Promessas do Batismo.
O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo apenas um grande feriado; é porque ainda não entenderam a grandeza da Semana Santa e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande Mistério de Amor.
O cristão católico convicto celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela com a celebração da Entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. O povo grita “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele, e só Ele, é o nosso Salvador (cf. At 4,12).
Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava Pés na noite da Quinta Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos onde Ele instituiu a sagrada Eucaristia e deu suas últimas orientações aos Apóstolos.
Na Sexta Feira Santa a Igreja guarda o Grande Silencio diante da celebração da morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto, e nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção.
Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”
A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.
Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse em sua encíclica “Spe Salvi”, que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida.
Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.
Prof. Felipe Aquino

SEMANA SANTA! TEMPO DE SANTIFICAÇÃO.


Eis o tempo favorável eis o tempo de nossa santificação!
Muitos pedem a Deus que lhes faça santos e a maioria das vezes perde o momento que Ele nos dá para nos santificar.
Nos momentos de sofrimento, são tempos de nossa santificação que santificam a outros. O nosso crescimento adquirido neste tempo nos impulsiona a levantar o caído o abatido, o ferido.
Na leitura dos textos sagrados vamos nos santificando com o que Deus nos impele a viver através dos grandes testemunhos de Cristo e seus seguidores.
Outros momentos nos santificam, mas um tempo MARAVILHOSO para nossa santificação é a SEMANA SANTA.
Para você que é cristão esse não um é tempo de férias ou tirar dias para nos folgar, viajar, de pescaria com os amigos e sim é tempo de buscar nossa santificação.Verificamos que na semana santa revivemos o grande testemunho do amor e misericórdia de Deus para com a humanidade.
· Ensina-nos a sermos mais penitentes culminando com a segunda penitencial que vivemos em nossas paróquias.
· Ensina-nos a comunhão como aprenderemos na terça com o encontro dos grupos de novenas da CF, onde se encontram em suas comunidades.
· Ensina-nos a viver a eucaristia centro da vida da Igreja e fonte de santificação a todo cristão.
· Ensina-nos a viver, no lava-pés, a grande alegria da servidão. Quanto mais servimos mais felizes somos.
· Ensina-nos a agüentar-mos o peso da Cruz e a enfrentar-mos os sofrimentos que ela implica, mas tendo toda certeza de quem morre nela é Jesus.
· Ensina-nos a ressurreição que encontramos em Jesus que vive e reina em nossas vidas. Dando-nos a alegria de com ele proclamarmos e anunciarmos que vivo está em cada um de nós. De saber que somos livres da lei do pecado e da morte, pois pela lei do Espírito fomos libertos de todo julgo, de do mal, de todo pecado, de toda dor, de toda enfermidade e que em Cristo somos mais que vencedores!
No domingo da ressurreição grite para o mundo ouvir: EU SOU LIVRE! CRISTO ME LIBERTOU!!!!!


Padre Cleidimar Moreira
Comunidade Canção Nova

VIVER A SEMANA SANTA


Viver a Semana Santa
Nós queremos acompanhar os passos de Cristo

Semana Santa, tempo da misericórdia do Pai, da ternura do Filho e do amor do Espírito Santo.
Esta semana chama-se Santa porque nos introduz diretamente no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Cada um desses acontecimentos tem um conteúdo eminentemente profético e salvífico.
O fiel cristão – verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo – não pode deixar de acompanhar ativamente a Liturgia da Semana Santa. Infelizmente, a maioria dos católicos tem outras preferências na semana mais santa do ano. Não são capazes de “vigiar e orar” uma só hora com Jesus (cf. Mc 14, 37-38).
Nós queremos acompanhar os passos de Cristo e sentir de perto o que vai acontecer a nosso melhor Amigo e Salvador, procurando sentir o que Jesus sentia em seu coração ao se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai. Ele viveu esses dias com mansidão e serenidade na presença do Pai. Seu coração estava inundado por uma imensa ternura para com todos os filhos e filhas de Deus dispersos.
Mostremo-nos, pois, solidários a Jesus. Passemos esta última semana de sua vida terrena com Ele, num último gesto de amor e amizade, recolhidos em oração fervorosa e contemplação profunda, de modo que a Páscoa do Senhor seja um dia verdadeiramente “novo” para nós.
Ao participarmos da bênção e procissão de ramos, queremos homenagear a Cristo e proclamar publicamente a sua Divina Realeza.
No Evangelho lido na Segunda-feira Santa, contemplamos Maria de Betânia ungindo os pés do Mestre com o perfume do amor e da gratidão. Na Terça-feira, Cristo revela o que se passa no coração de Judas Iscariotes. Na Quarta-feira, Mateus relata Cristo celebrando com os Apóstolos a festa da Páscoa judia e a traição de Judas.
Na Quinta-feira Santa, pela manhã, é celebrada a Missa Crismal. Esta celebração, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os óleos usados no Batismo e na unção dos enfermos, é a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.
No período vespertino, inicia-se o Tríduo Sacro. Com a celebração da Missa da Ceia do Senhor (cerimônia do Lava-pés), recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, bem como o mandamento do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1).
A Sexta-feira Santa é o grande dia de luto para a Igreja. Não há Santa Missa, mas celebração da Paixão do Senhor que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da Cruz e sagrada Comunhão. Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão, contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor.
O Sábado Santo é dia de oração silenciosa e de profunda contemplação junto ao túmulo de Jesus. São horas de solidão e de saudade... É ocasião para acompanharmos Nossa Senhora da Soledade e as santas mulheres junto ao túmulo de Jesus, sentindo com elas a medida do amor que Cristo suscita nos corações que O conhecem de perto.
A Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, na qual a Igreja espera, velando, a Ressurreição de Cristo, compõe-se da liturgia da Luz, da liturgia da Palavra, da liturgia Batismal e da liturgia Eucarística.
A participação no Mistério redentor de Cristo leva-nos a ser – no mundo descrente – testemunhas autênticas da Ressurreição de Cristo. Não podemos retardar o anúncio da ressurreição. Que a alegria de Cristo ressuscitado penetre nosso ser, domine nosso pensamento, tome conta de nossos sentimentos e ações. Precisamos de gente que tenha feito experiência da ressurreição. Existe uma única prova de que Cristo tenha ressuscitado: que as pessoas vivam a Sua vida e se amem com o amor com que Ele nos ama...
Guiados pela luz do círio pascal, e ressuscitados para uma vida nova de fé, esperança e amor, sejamos testemunhas vivas da Ressurreição do Senhor Jesus.
Que a Mãe do Ressuscitado nos aponte o caminho para Jesus Cristo, nosso único Salvador.

Dom Nelson Westrupp
Bispo diocesano de Santo André - SP

O DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR.


O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Visão geral

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, inicia-se a Semana Santa, que os antigos cristãos chamavam Grande Semana. Neste dia, a Igreja celebra dois mistérios bem distintos e complementares: (1) a entrada solene de Jesus em Jerusalém para celebrar sua última e definitiva Páscoa e (2) a sua Paixão e morte. A entrada é celebrada com a bênção dos ramos e a procissão; a paixão e morte é celebrada na missa. Então, não existe uma Missa de Ramos; de ramos é a Procissão; a Missa é da Paixão do Senhor.
Isso tem um motivo histórico. Em Roma, não havia uma Semana Santa. Celebrava-se no sexto domingo da Quaresma a Paixão e Morte de Cristo e, no domingo seguinte, a Páscoa do Senhor. Somente no século XI é que a Procissão de Ramos, costume nascido em Jerusalém, passado para a Espanha e, depois, para a Gália (atual França), chegou a Roma, entrando na liturgia romana.
O sentido espiritual
Participar da Bênção e Procissão dos Ramos significa (1) reconhecer e proclamar que Jesus é o Messias prometido a Israel, o Descendente de Davi; o Salvador; (2) significa também reconhecer que ele não é um Messias glorioso, mas humilde – vem num burrico e não num potente cavalo! -, um Messias que vem para servir e dar a vida: seu trono será a cruz; sua coroa, de espinhos! (3) Participar da Procissão significa que queremos nos colocar debaixo do senhorio desse Messias pobre e humilde e desejamos participar da sua sorte: ir com ele até a cruz para participar da sua vitória: “Fiel é esta palavra: se sofrermos com ele, com ele reinaremos; se morrermos com ele, com ele viveremos!” (2Tm 1,11s). No contexto da Bênção dos Ramos, lê-se o Evangelho da entrada do Senhor em Jerusalém – neste ano de 2005 é Mt 21,1-11 e faz-se uma pequena homilia explicando os três aspectos acima elencados.
Os ramos da Procissão devem ser guardado em casa, num lugar visível, para recordar que participamos dessa Profissão, proclamando que estávamos dispostos a ir até a cruz com o Senhor. E nas dores e sofrimentos da vida, olhando os ramos, vamos nos lembrar que as dores e feridas da existência são um modo de participar da Paixão do Senhor. Entremos com ele em Jerusalém!
Terminada a Procissão, termina também toda referência que a liturgia faz aos Ramos. Agora, tudo se volta para a Paixão do Senhor. A primeira leitura, é o Terceiro Canto do Servo Sofredor de Isaías (Is 50,4-7), recordando que o Senhor Jesus se fez obediente ao Pai, um verdadeiro discípulo, aprendendo com o sofrimento, e encontrou forças na confiança no seu Senhor e Deus. O salmo responsorial é o Sl 22, aquele que Jesus rezou na cruz. Rezar esse salmo é ler os pensamentos de Jesus no momento da cruz! A segunda leitura é o profundo hino de Filipenses 2,6-11: O Filho, sendo Deus, humilhou-se até a morte de cruz e foi exaltado pelo Pai acima de tudo. Finalmente, a Paixão segundo o Evangelista de cada ano – este ano de 2005 é o Evangelho segundo Mateus (26,14 – 27,66). Esta Missa tem um Prefácio próprio, que resume de modo admirável o mistério pascal: “Inocente, Jesus quis morrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e sua ressurreição nos trouxe vida nova”. A homilia dessa missa não deve deter-se sobre o tema dos ramos e sim no mistério do amor do Senhor que se entregou ao Pai por nós até a morte e morte de cruz.

Algumas anotações litúrgicas

(1) A cor dos paramentos é vermelho, cor da paixão, do sangue, do Espírito de amor que faz dar a vida pelos irmãos.
(2) Em cada igreja somente pode haver uma procissão de ramos, feita antes da missa principal. No caso de uma outra missa importante, pode-se fazer nova bênção dos ramos e a entrada solene, como está na "Segunda forma" do Missal Romano: à porta da igreja os fiéis se reúnem, trazendo ramos nas mãos. O celebrante dirige-se para lá com os acólitos, abençoa os ramos, lê o Evangelho próprio e entra com o povo para a missa.
(3) A igreja deve estar discretamente ornamentada com ramos, não com flores.
(4) Para a procissão, é aconselhável que o padre use o pluvial. Somente chegando à igreja, depois de beijar e incensar o altar, tira o pluvial e coloca a casula.
(5) Na procissão, o padre vai à frente, com um ramo na mão, precedido pelos acólitos e seguido pelo povo.
(6) Os cânticos devem ser os próprios para esta celebração. Estão no missal. Existem CDs com composições próprias para esta momento.
(7) O padre, após revestir-se com a casula, já inicia a missa com a oração da Coleta.
(8) ATENÇÃO: Ainda que não haja bênção dos ramos, o Evangelho da Missa é sempre a Paixão e nunca o da entrada de Jesus em Jerusalém. Nunca se deve esquecer: não há missa de ramos! A missa é da Paixão; de ramos é a procissão!
(9) A Paixão pode ser lida por várias pessoas, mas nunca dramatizada! A liturgia não é um teatro! Isso seria uma completa e total deturpação do que é uma celebração litúrgica!
(10) Os ramos devem ser levados para casa, colocados num lugar digno e devolvidos à paróquia antes da Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte, para ser transformado em cinzas.
Cônego Henrique Soares da Costa.
Arquidiocese de Maceió.
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento.



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SERMÕES PARA A PROCISSÃO DO ENCONTRO.

Sermões para o Encontro

Sermão I


“Ó vós todos, que passais pelo caminho,Olhai e vede se há dor igual à minha dor!” (Lm 1,12)
Queridos irmãos e irmãs,
Esta procissão do Encontro nos prepara para começarmos, amanhã, o santo Tríduo Pascal, que nos faz celebrar na graça de Deus o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor.

Agora, olhemos para estas imagens, que nos recordam o Senhor Jesus e sua Mãe, Maria, a Virgem. Duas imagens, duas lições, duas emoções!
Primeiro a imagem de Cristo, daquele que por nós se fez obediente ao Pai até a morte e morte de cruz. Vede: fez-se obediente ao Pai... por nós! Olhai a cruz: aí aparece o amor de Jesus ao Pai, aí aparece o amor de Jesus por nós!
– Jesus meu, por que carregas esta pesada cruz? Por que agora tua Mãe adolorada vê-te carregando tão pesado lenho?
Eis a resposta que ele nos dá: “Levo esta cruz por amor ao Pai! Levo-a porque ninguém pode tirar-me a vida: eu a dou livremente! Este é o preceito que recebi do meu Pai querido! Levo-a para que o mundo saiba que eu amo o Pai! Olhai para mim, olhai! Eu amo o Pai e faço como o Pai me ordenou! Eu me entrego ao Pai, eu me confio ao Pai, eu coloco nas mãos do meu querido Papai e minha vida! Mas, levo-a também por vós; porque o Pai amou tanto o mundo, amou tanto a todos vós, pecadores, que me entregou à morte, a mim, seu único Filho, para que eu dê a todos a salvação e a vida! Vede minha cruz, vede minha dor, vede minhas chagas, contemplai minha queda! Eu vos amei! Não há maior prova de amor que dar a vida por quem se ama... Não vos amei só com palavras, não vos amei só com sentimentos. Não! Amei-vos no peso desse madeiro, amei-vos nas quedas dolorosas que tanto me feriram, amei-vos nas gotas rubras de sangue por mim vertidas, amei-vos nos cravos pontiagudos... Amei-vos de verdade, de modo concreto! Amei-vos até o fim, até a morte!
Eis, irmãos caríssimos, a lição que o Senhor Jesus nos dá hoje: amor total e confiante ao Pai, amor generoso e concreto, real, por nós todos! Pela cruz de Jesus, amemos assim; pelas suas santas chagas, sigamos seu exemplo; pela sua dolorosíssima Paixão, paguemos-lhe amor com amor, doação por doação, compromisso por compromisso! Perdão, Senhor, por nosso amor tão frio! Perdão por nosso amor só de palavras! Perdão pelas infidelidades de nosso coração velhaco! Perdão por nossa preguiça espiritual, pela nossa lentidão para com o que é teu e nossa prontidão para com o que é do mundo e do pecado! Perdão, Senhor! Pecamos, Senhor! Misericórdia!
Olhemos, agora, a imagem da Virgem! “A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará?” (Lm 2,13).

A Mãe do Senhor é toda dor, toda tristeza! Mas, pensai, irmãos, pensai! Quanta força, nessa doce mulher, quanta dignidade, quanta fidelidade ao Senhor Deus!
- Ó Maria Virgem, o Anjo te havia prometido: “Ele será grande! O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai... O seu reino não terá fim!” E agora, o que vês? O teu Filho feito trapo humano, feito farrapo de gente, abandonado, ultrajado, injustiçado, machucado de corpo e de coração! Onde está o teu Deus, Virgem Maria? Onde, as suas promessas?
E, no entanto, tu permaneces de pé, tu choras com dignidade, tu não duvidas da palavra do Senhor! Tu esperas no Senhor, esperas contra toda esperança!
- “Eis o que recordarei ao meu coração e por que eu espero: os favores do Senhor não terminaram, sua compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as manhãs, grande é a sua fidelidade! Eis por que eu espero! É bom esperar em silêncio a salvação do Senhor! O Senhor é bom para quem nele confia, para aquele que o busca (Lm 5,22-25).
Virgem Santíssima, ensina-nos a esperar no Senhor, mesmo na dor! Ensina-nos a sofrer com a tua dignidade, com a tua esperança! Ó mulher tão elegante, mais elegante que todas! Quanta elegância, quanta altivez, quanta força, quanta dignidade, quanta beleza em ti, aos pés da cruz! Senhora nossa, és Senhora de ti mesma, antes de seres Nossa Senhora! No Altar da agonia, foste consolo para quem padecia, foste ternura naquele entardecer, foste esperança do amanhecer! Pela espada tão dolorosa que traspassa agora tua alma, roga por nós, Virgem Maria! Roga pelas mães que sofrem por seus filhos, roga pelos lares destroçados, roga pelos filhos que caem na droga e na imoralidade, roga pelos filhos sem lar, roga por todos nós, pecadores, agora e na hora da morte de cada um de nós!
Irmãos, olhemos, mais uma vez, estas imagens! Olhemo-las com os olhos do corpo; fixemo-las com os olhos da alma; guardemo-las em nós com o afeto do coração! Agora, vamos voltar para casa: voltemos fortalecidos pela entrega total de Jesus ao Pai por amor de nós; voltemos consolados pela fortaleza admirável da Virgem. E que o Senhor nos conceda uma Semana Santa vivida com piedade e devoção. E que a santa Páscoa deste ano seja para nós penhor da Páscoa eterna, com o Cristo, que é Deus bendito pelos séculos. Amém.
Sermão II
"Grande multidão de povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele..." (Lc 23,27).
Quem são essas mulheres? São um grupo de mulheres de Jerusalém; choram por Jesus. Mas, entre elas, há uma, silenciosa, olhar fixo, rosto lívido de dor, daquelas dores que nos matam... Mas dor vivida com dignidade impressionante! Quem é ela? Quem é Aquela? É a Virgem Mãe, é Maria a Santíssima!
À Virgem, o Pai dissera, um dia, pela boca do Velho Simeão: "Este Menino, este Filho, agora homem feito, foi colocado para a queda e o erguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição! A a ti, uma espada traspassará tua alma..." (Lc 2,34s).
Ó Virgem Senhora das Dores, Mãe traspassada pela espada, Mãe toda feita dor! Tu, agora, contemplas teu Filho, o mais belo dentre os filhos dos homens, sem beleza nem formosura! Por que se encontra ele assim? Porque veio para derrubar os muros que nos separam do amor de Deus e do amor aos outros; porque veio derrubar a prepotência do coração humano, porque veio para destruir o pecado do mundo! Ei-lo, agora, ferido de morte, pelo pecado do mundo sem Deus! Ele, que veio para erguer os caídos na vida, para consolar os que já não encontravam mais uma razão para viver; ele, que veio paral ibertar e consolar...
Ei-lo, Sinal de Contradição, como um espinho no coração desse mundo prepotente, orgulhoso, sem Deus! Ei-lo rejeitado por uma humanidade que se ilude com tantas bobagens e prende o coração em tantas ilusões! eis o teu Filho, Virgem adolorada!
A ti, uma espada terrível traspassa a alma! Tu também, Mãe mais bendita que todas, tens de pagar tua parte na salvaçãodo mundo! Suporta, pois, Virgem! Suporta com ele, por nós! completa em tua carne bendita, na completa na carne da tua alma ferida, o que falta à paixão do teu Filho! Dá-nos à luz na dor, tu, que, sem dor o deste à luz! por amor do teu Filho, roga por nós, filhos teus, agora e na hora de nossa morte!
Às mulheres de Jerusalém, Jesus disse: "Não choreis por mim, o Lenho verde, cheio de vida! Chorai, antes, por vós e por vossos filhos, lenhos secos! Porque se queimaram assim o Lenho verde, o que acontecerá com o lenho seco?"
Ó Senhor Jesus, Homem de dores, desfigurado pelos nossos pecados! Ó Lenho verde, cheio de vida! Piedade das mães e dos pais de Maceió! Piedade desses lenhos secos! Piedade dos que choram por seus filhos, filhos de um mundo sem Deus! Piedade, porque seus filhos estragam a vida, ressecam o coração na falta de Deus, na falta de esperança, na droga que mata, na violência que dilacera, no sexo sem amor nem consequência, que esvazia o sentido do amor e tira a alegria de viver! Piedade desses pais, piedade desses filhos nossos, lenhos sexos num mundo sem Deus!
Hoje, não choramos por ti, Senhor dos Passos, mas por nós e por nossos pecados! Choramos pelo mundo sem graça que estamos construindo longe de ti e contra ti! Também não choramos por tua Mãe: tu a consolarás! Mas, quem nos consolará, neste mundo sem Deus? Pode haver consolo verdadeiro sem Deus?...
Pelas tuas dores, piedade de nós! Pelos teus passos dolorosos, piedade de nós! Pelas dores de tua Mãe santíssima, piedade de nós! Amém.

Cônego Henrique Soares

Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (centro de Maceió)

Arquidiocese de Maceió.

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