terça-feira, 21 de junho de 2011

OS DEZ MILAGRES EUCARÍSTICOS.

Para aprofundamos ainda mais sobre a presença real de Jesus na Eucaristia, transcrevo na integra um pequeno artigo do professor Felipe Aquino, sobre os dez milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja.



10 MILAGRES EUCARISTICOS
Filed under: Eucaristia — Prof. Felipe Aquino at 2:28 pm on quinta-feira, maio 22, 2008

A revista “Jesus” das Edições Paulinas de Roma, publicou uma matéria do escritor Antonio Gentili, em abril de 1983, pp. 64-67, onde apresenta uma resenha de milagres eucarísticos. Há tempos, foi traçado um “Mapa Eucarístico”, que registra o local e a data de mais de 130 milagres, metade dos quais ocorridos na Itália. São muitíssimos os milagres eucarísticos no mundo todo. Por exemplo, Marthe Robin, uma francesa, milagre eucarístico vivo, alimentou-se durante mais de quarenta anos só de Eucaristia. Teresa Newmann, na Alemanha, durante mais de 36 anos alimentou-se só de Eucaristia.


1 – Lanciano – Itália – no ano 700

Em Lanciano – séc. VIII. Um monge da ordem de São Basílio estava celebrando na Igreja dos santos Degonciano e Domiciano. Terminada a Consagração, que ele realizara, a hóstia transformou-se em carne e o vinho em sangue depositado dentro do cálice. O exame das relíquias, segundo critérios rigorosamente científicos,, foi efetuado em 1970-71 e outra vez em 1981 pelo Professor Odoardo Linoli, catedrático de Anatomia e Histologia Patológica e Química e Microscopia Clínica, Coadjuvado pelo Professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena. Resultados:

1) A hóstia é realmente constituída por fibras musculares estriadas, pertencentes ao miocárdio.

2) Quanto ao sangue, trata-se de genuíno sangue humano. Mais: o grupo sangüíneo ‘A’ que pertencem os vestígios de sangue, o sangue contido na carne e o sangue do cálice revelam tratar-se sempre do mesmo sangue grupo ‘AB’ (sangue comum aos Judeus). Este é também o grupo que o professor Pierluigi Baima Bollone, da universidade de Turim, identificou no Santo Sudário.

3) Apesar da sua antigüidade, a carne e o sangue se apresentam com uma estrutura de base intacta e sem sinais de alterações substanciais; este fenômeno se dá sem que tenham sido utilizadas substâncias ou outros fatores aptos a conservar a matéria humana, mas, ao contrário, apesar da ação dos mais variados agentes físicos, atmosféricos, ambientais e biológicos.



2 – Orvieto – Bolsena – Itália – 1263 (Inicio da Festa de Corpus Christi).

A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.

Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.

Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

3 – Ferrara – 28/03/1171

Aconteceu este milagre na Basílica de Santa Maria in Vado, no século XII. Propagava-se com perigo a heresia de Berengário de Tours (†1088), que negava a Presença real de Cristo na Eucaristia. Aos 28 de março de 1171, o Pe. Pedro de Verona, com três sacerdotes celebravam a Missa de Páscoa; no momento de partir o pão consagrado, a Hóstia se transformou em carne, da qual saiu um fluxo de sangue que atingiu a parte superior do altar, cujas marcas são visíveis ainda hoje.

Há documentos que narram o fato: um “Breve’ do Cardeal Migliatori (1404). – Bula de Eugênio IV (1442), cujo original foi encontrado em Roma em 1975. Mas, a descoberta mais importante deu-se em Londres, em 1981, foi encontrado um documento de 1197 narrando o fato.


4 – Offida – Itália – 1273

Ricciarella Stasio – devota imprudente, realizava práticas supersticiosas com a Eucaristia; em uma dessas profanações, a Hóstia se transformou em carne e sangue. Foram entregues ao pe. Giacomo Diattollevi, e são conservadas até hoje. Há muitos testemunhos históricos sobre este fato.


5 – Sena – Cáscia – Itália – 1330

Hoje este milagre é celebrado em Cássia, terra de Santa Rita de Cássia. Em 1330, um sacerdote foi levar o viático a um enfermo e colocou indevidamente, de maneira apressada e irreverente, uma Hóstia dentro do seu Breviário para levá-la ao doente grave. No momento da Comunhão, abriu o livro e viu que a Hóstia se liquefez e, quase reduzida a sangue, molhou as páginas do Livro.

Então o sacerdote negligente apressou-se a entregar o livro e a Hóstia a um frade agostiniano de Sena, o qual levou para Perúgia a pagina manchada de sangue e para Cáscia a outra página onde a Hóstia ficou presa. A primeira página perdeu-se em 1866 mas a relíquia chamada de “Corpus Domini” é atualmente venerada na basílica de Santa Rita.


6 – Turim – Itália – 1453

Na Alta Itália ocorria uma uma guerra furiosa pelo ducado de Milão. Os Piemonteses saquearam a cidade; ao chegarem a Igreja, forçaram o Tabernáculo. Tiraram o ostensório de prata, no qual se guardava o corpo de Cristo ocultando-no dentro de uma carruagem juntamente com os outros objetos roubados, e dirigiram-se para Turim. Crônicas antigas relatam que, na altura da Igreja de São Silvestre, o cavalo parou bruscamente a carruagem – o que ocasionou a queda, por terra, do ostensório – o ostensório se levantou nos ares “com grande esplendor e com raios que pareciam os do sol”. Os espectadores chamaram o Bispo da cidade, Ludovico Romagnano, que foi prontamente ao local do prodígio. Quando chegou, “O ostensório caiu por terra, ficando o corpo de Cristo nos ares a emitir raios refulgentes”. O Bispo, diante dos fatos, pediu que lhe levassem um cálice. Dentro do cálice, desceu a hóstia, que foi levada para a catedral com grande solenidade. Era o dia 9 de junho de 1453. Existem testemunhos contemporâneos do acontecimento (Atti Capitolari de 1454 a 1456). A Igreja de “Corpus Domini” (1609), que até hoje atesta o prodígio.


7 – Sena – Itália – 1730

Na Basília de São Francisco, em Sena, pátria de Santa Catarina de Sena, durante a noite de 14 para 15 de março de 1730, foram jogadas no chão 223 hóstias consagradas, por ladrões que roubaram o cibório de prata onde elas estavam. Dois dias depois, as Hóstias foram achadas em caixa de esmolas misturas com dinheiro. Elas foram limpadas e guardadas na Basílica de São Francisco; ninguém as consumiu; e logo o milagre aconteceu visto que com o passar do tempo as Hóstias não se estragaram, o que é um grande milagre. A partir de 1914 foram feitos exames químicos que comprovaram pão em perfeito estado de conservação.


8 – Milagre Eucarístico de Santarém – Portugal (1247)

Aconteceu no dia 16 de fevereiro de 1247, em Santarém, 65 km ao norte de Lisboa. O milagre se deu com uma dona de casa, Euvira, casada com Pero Moniz, a qual sofrendo com a infidelidade do marido, decidiu consultar uma bruxa judia que morava perto da igreja da Graça. Esta bruxa prometeu-lhe resolver o problema se como pagamento recebesse uma Hóstia Consagrada. Para obter a Hóstia, a mulher fingiu-se de doente e enganou o padre da igreja de S. Estevão, que lhe deu a sagrada Comunhão num dia de semana. Assim que ela recebeu a Hóstia, sem o padre notar, colocou-a nas dobras do seu véu. De imediato a Hóstia começou a sangrar. Assustada, a mulher correu para casa na Rua das Esteiras, perto da Igreja e escondeu o véu e a Hóstia numa arca de cedro onde guardava os linhos lavados. À noite o casal foi acordado com uma visão espetacular de Anjos em adoração à sagrada Hóstia sangrando. Varias investigações eclesiásticas foram feitas durante 750 anos. As realizadas em 1340 e 1612 provaram a sua autenticidade. Em 5 de abril de 1997, por decreto de D. Antonio Francisco Marques, Bispo de Santarém, a Igreja de S. Estevão, onde está a relíquia, foi elevada a Santuário Eucarístico do Santíssimo Sangue.


9 – Faverney, na França, em 1600

O Milagre Eucarístico que aconteceu em Faverney, na França consistiu numa notável demonstração sobrenatural de superação da lei da gravidade. Faverney está localizado a 20 quilômetros de Vesoul, distante 68,7 quilômetros de Besançon.Um dos noviços chamado Hudelot, notou que o Ostensório que se encontrava junto Santíssimo Sacramento sobre o Altar, elevou-se e ficou suspenso no ar e que as chamas se inclinavam e não tocavam nele. Os Frades Capuchinhos de Vesoul também apressaram-se para observar e testemunhar o fenômeno. Embora os monges com a ajuda do povo, conseguiram apagar o incêndio que queria consumir toda a Igreja, o Milagre não cessou, o Ostensório com JESUS Sacramentado continuou flutuando no espaço.

10 – Em Stich, Alemanha, 1970

Na região Bávara da Alemanha, junto à fronteira suíça, em 9 de junho de 1970, enquanto um padre visitante da Suíça estava celebrando uma Missa numa capela, uma série incomum de eventos aconteceu. Depois da Consagração, o celebrante notou que uma pequena mancha avermelhada começou a aparecer no corporal, no lugar onde o cálice tinha estado descansando. Desejando saber se o cálice tinha começado a vazar, o padre correu a mão dele debaixo do cálice, mas achou-o completamente seco. A esta altura, a mancha crescera, atingindo o tamanho de uma moeda de dez centavos. Depois de completar a Missa, o padre inspecionou todo o altar, mas não conseguiu encontrar qualquer coisa que pudesse ser remotamente a fonte da mancha avermelhada. Ele trancou o corporal que apresentava a mancha num local seguro, até que pudesse discutir o assunto com o pároco.

Prof. Felipe Aquinohttp://www.cleofas.com.br/


Nota: A maioria das fotos que ilustram esta postagem nem sempre são dos milagres relatados abaixo das mesmas, pois, boa parte dos milagres, por terem sidos realizados alguns séculos atrás, não encontramos em nossa pesquisa registros fotográficos.

EUCARISTIA = JESUS.

Refletindo a passagem evangélica dos discípulos de Emáus (cf. Lc 24, 13-35), um pequeno trecho me chama atenção. Nele, Jesus após abençoar e partir o pão, os olhos dos discípulos abriram, O reconheceram e diante dos seus olhos, desapareceu (cf. v. 30s).

Para mim, os dois pequenos versículos nos revelam claramente a presença real de Jesus na Eucaristia. Diante dos nosso olhar limitado, vermos na Hóstia Consagrada apenas um pedaço fino de pão. Quando participamos da Santa Missa, no momento da Consagração, através do celebrante, Jesus repete o mesmo gesto feito em Emáus, ou seja, o pão deixa de ser pão e torna-se verdadeiramente Jesus.

Como se a passagem do Evangelho não fosse bastante para nos fazer crer nesta verdade de fé, Deus na sua infinita misericórdia e amor por nós, provou fisicamente que Ele é a Eucaristia, por sete vezes, nos milagres Eucarísticos, todos reconhecidos pela Igreja e comprovadamente cientificamente. Destaque para o Milagre ocorrido em Lanciano, onde após detalhados exames, os cientistas chegaram a conclusão que aquele pedaço de carne, trata-se de um tecido do coração. A ciência comprova o que a nossa fé nos ensina.

Portanto, não adoramos um pedaço de pão, muito menos comungamos um, simbolizando a Ceia do Senhor, como dizem e fazem os nossos irmãos afastados. Adoramos o próprio Deus Filho, que mesmo sem precisar provar nada para nós, já que fé é a certeza daquilo que os nossos olhos humanos não ver, fez questão de nos mostrar que a Eucaristia verdadeiramente é Ele.

Peçamos a Deus que aumente a nossa fé e nos faça reconhecer a Sua presença na Hóstia Consagrada.

Rick Pinheiro.
Teólogo, professor de Ensino Religioso, acadêmico de Direito, catequista, assessor arquidiocesano da Pastoral da Juventude e membro do Grupo Teatral Apoteose, da Paróquia do Divino Espírito Santo, da Arquidiocese de Maceió.

Disponível em: http://rickmissionariopj.blogspot.com/2011/04/eucaristia-jesus.html 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ESPIRITUALIDADE DO PJOTEIRO

O artigo de hoje quer tratar de sete lembranças para a espiritualidade de um jovem pejoteiro. É baseada numa tradição antiga da Igreja chamada de celebração das sete palavras de Jesus na cruz. O que estas palavras inspiram na vida pejoteira e na missão de tantos jovens envolvidos na causa de Jesus e do Reino de Deus? Eu acredito que muito. Então, vamos a elas.
"Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem"

Pejoteiro é o jovem que ama e perdoa. Perdoar é o ato supremo da doação. No alto do próprio sofrimento, Jesus é capaz de olhar as fragilidades do ser humano e mesmo assim pedir a Deus que perdoe aqueles que o afligem.

No percurso da caminhada pejoteira há muita pedra de tropeço, muita gente que parece que está lá para nos atrapalhar. O senso comum pede que nos afastemos e não queiramos o bem delas. Mas o pejoteiro busca os seus princípios de ação nas palavras do Pai Nosso. "Perdoai-nos, assim como perdoamos", diz a oração.

Pejoteiro sabe das próprias limitações e procura supera-las. É um jovem que aprendeu a se aceitar e com isso tem mais possibilidades de aceitar e amar o outro também em suas fragilidades e limitações. É um amor que corrige, perdoa e transforma.

"Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso".

Pejoteiro é jovem de esperança. Conhece aquela história do “confie em Deus, mas confie em você também”? Hoje o que se ouve mais é o “confie em você”, do que o “confie em Deus”. Apesar das próprias limitações, o jovem da PJ não se esquece deste pedido. “Lembra-te de mim”, como disse o “bom ladrão” é acrescido de tantas outras lembranças. “Lembra-te de fulano, de cicrano e de beltrano também”.

A resposta de Jesus é clara. “Hoje mesmo”. Não é amanhã ou depois. O Reino de Deus acontece no agora, para aqueles que confiam. A esperança pejoteira é uma esperança atuante e militante. As pequenas manifestações do Reino que acontecem no nosso cotidiano devem ser celebradas, como antecipação do grande evento que estamos esperando e construindo.

Por fim, há um detalhe nesta passagem que é muito importante. Não é para o Jesus glorioso, espiritual que o pedido do “lembra-te de mim” é feito, mas para um Jesus quase desfigurado, tremendamente humilhado e fracassado. Isto deve dizer alguma coisa para nós.

"Mulher, eis aí o teu filho. Filho eis aí a tua Mãe!"

Pejoteiro é jovem que é companheiro de Jesus, mesmo na adversidade da vida. Que dá o seu sim ao projeto como fez Maria. Há quem diga que historicamente não seria possível deixar que parentes ou outros se aproximassem do crucificado. Além do sofrimento físico a solidão acabava por ser uma humilhação social. Contudo, independente da veracidade histórica, eu acho muito bonita a imagem de Maria e João, além das outras mulheres, ao pé da Cruz em diálogo com Jesus.

Há momentos em que nos sentimos abandonados ou largados à própria sorte, seja na vida pessoal, profissional ou pastoral. Pejoteiro legítimo não abandona a amizade com Jesus. Toma para si seu exemplo de vida e continua a viver, apesar das cruzes que vão sendo carregadas pelo caminho.

E toma também Maria como mãe e mestra de vida. Dá um sim ao projeto de Deus. Pejoteiro dá o seu sim em cada atividade que realiza, testemunhando a Boa Nova em cada ação que pratica.

"Tenho Sede!"

Pejoteiro não se desliga das necessidades humanas quando quer se encontrar com o sagrado. No limite das suas forças, sabendo que tudo o que havia feito culminava naquele momento, ainda assim mostrava que era uma pessoa com as mesmas necessidades que nós.

Há quem acredite que para se ter uma ligação com o lado espiritual da nossa existência é necessário abrir mão de toda nossa corporeidade e necessidades humanas. Pejoteiro não acredita nisso, pelo contrário. Acredita que é com o nosso ser completo que nos encontramos com Deus e contribuímos para o seu Reino junto a toda humanidade.

E esse ser completo é cheio de beleza, mas também tem suas limitações. São as nossas incompletudes que nos convocam a melhorar. E é cada uma de nossas características, deficiências, sonhos e necessidades que colocamos na mesa à disposição do Reino de Deus.

"Eli, Eli, lema sabachtani? - Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?"

Pejoteiro é o jovem que procura encontrar a presença de Deus no cotidiano. Nos tropeços e pedras da vida, nas horas de angústia e solidão, quem não gostaria de um afago, um ombro amigo e uma presença de conforto? Há quem viva procurando sinais miraculosos de Deus em sua vida e nunca encontra aquilo que procura.

Pejoteiros enxergam os milagres da vida nas pequenas coisas que a vida oferece. Deus não abandona a humanidade. São as pessoas que não enxergam a presença de Deus. Em momentos de dor e sofrimento é difícil racionalizarmos desta maneira. A natureza humana de Jesus padecia e Ele gritou pela presença de Deus. Quantas vezes nós também gritamos a mesma coisa, porém sem qualquer convicção de que Deus nos escuta?

A espiritualidade pejoteira é firmada no cotidiano, nas dificuldades e alegrias cotidianas. Cultivada no dia a dia, aprendemos que Deus se manifesta na presença do outro, no afago, no ombro amigo e na presença de conforto, como também na crítica que faz pensar, no confronto de ideias e nas disparidades que a vida apronta também.

"Tudo está consumado!"

Jovem pejoteiro é aquele que contribui para o projeto de Jesus. E quando esta contribuição está consumada? Enquanto há vida, há ainda o que se fazer.

Jesus não ficou na cruz. Foi sepultado, mas continua vivo. Sua proposta arde em nossos corações nos impulsionando a continuá-la em nossas vidas. Não é possível pensar numa aposentadoria espiritual. A cruz é sinal de que há muito por se fazer e este muito deve ser levado até o fim, até as últimas consequências.

"Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!"

Pejoteiro é o jovem que se deixa guiar pela vontade de Deus. Quando olhamos para o Calvário, não há como não refletir no gesto forte de levar a missão ao fim. Muitos de nós olham para Jesus e se perguntam se somos capazes de agir como Ele.

Por nossa vontade, não é possível agir assim. Só é fiel a proposta do Reino quem se deixa levar por ela. Pai, em tuas mãos eu entrego meu espírito, meu coração, minhas mãos, meus pés, meu abraço, meus pensamentos e minha vida como um todo.

Fonte: pjotando.blogspot.com

ASSESSORIA

Quando falamos nos diversos aspectos da Pastoral da Juventude, um dos que mais me fascinam e me agradam conversar é sobre assessoria. Venho aprendendo muito sobre o assunto, partilhando aspectos deste ministério com outros assessores mais experientes e colhendo relatos dos assessores mais novos. Os grupos de jovens e a PJ como um todo só tem a ganhar se investirem mais na formação e no acompanhamento destas pessoas. Há muito o que se escrever sobre a assessoria. Por ora, ficamos somente com as duas questões abaixo.

34.    Assessor e coordenador. Qual a diferença?

Muita gente sabe que não é a mesma coisa ser assessor e ser coordenador, mas já vi, na prática, muita confusão acontecer, além de algumas falhas clássicas. Por exemplo:

  • O assessor cria, o coordenador executa.
  • Depois que terminar o período de coordenação, eu viro assessor.
  • Em reuniões o assessor fala mais que o coordenador.
  • Após um tempo de caminhada comum, não se vê melhoras na maneira de coordenar.
Ter um assessor no grupo resolve todos os problemas, então? Não resolve tudo, não. Mas ajuda muito, principalmente se os papéis estiverem bem definidos. O assessor é aquele que senta junto, acompanha, auxilia, dá dicas ao coordenador e ao grupo, porque, afinal de contas, tem mais experiência pastoral que eles. Contudo, não decide nada, mas tem (e sabe disso) condições de influenciar decisões.

Quando eu aprendi o que era ser assessor, foi-me apresentada a figura de São João Batista que anunciou a vinda de alguém muito mais importante que ele. “É importante que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). O assessor é capaz de dar lugar ao jovem, para que ele cresça no seu protagonismo.

Por isto, não é possível entender o coordenador como mero executor das tarefas ditadas pelo assessor. Pela experiência que tem, há momentos em que o assessor deve deixar a coordenação “errar” para poder aprender com o ocorrido. A avaliação, conforme já foi dito aqui, é fundamental para o crescimento do grupo. E com o tempo, há de se perceber melhoras na maneira de coordenar um grupo, porque o assessor, pontualmente e fraternalmente vai indicando onde se pode melhorar.

Por fim, há de se entender também que a assessoria é vocação. Nem todo mundo serve como assessor, porque não tem as características pessoais de um assessor. Ou seja, assessoria não é promoção para coordenador “desempregado” ou “aposentado”. Não existe plano de carreira pastoral. Como dizia um amigo, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Sobre as características de um assessor, vejam a pergunta 36.

35.    Quando se deve buscar assessoria especializada?

São dois os tipos de assessoria, basicamente: o assessor contínuo (ou direto, ou pedagógico) e o assessor perito (ou especialista). O contínuo é aquele que está sempre no grupo, que acompanha os jovens pessoalmente e sabe ser um interlocutor entre as instâncias pastorais. O perito é aquele que é o especialista em um determinado assunto e é convidado pelo grupo ou organização para dar assessoria sobre um ponto específico. A presença deste na vida do grupo é mais rara.

Para responder esta pergunta, há de se entender quais são as vantagens e desvantagens do assessor perito:
  • Vantagens - por ser de fora, vislumbra melhor certos aspectos que o grupo não enxerga; por ser um especialista, tem mais estudo acumulado sobre o tema.
  • Desvantagens - ele não conhece a realidade local e pode dar uma contribuição deslocada; como é especialista em um determinado assunto há o perigo de não levar em consideração aspectos relevantes para o grupo (por exemplo, se ele vai fazer uma análise de realidade, ele pode se prender mais ao lado econômicos e deixar os âmbitos culturais e da juventude de fora...).
A forma de minimizar estas desvantagens é conversar antes com o assessor perito. Para que a contribuição a ser dada seja eficaz é preciso apresentar-lhe a realidade do grupo, que ponto específico estão tentando atingir e como a fala do perito ajudará neste processo. O perito não deve tomar conta do processo como um todo e, sim, enriquecê-lo.

O assessor direto pode ter uma atividade na qual é perito (enfermeiro, advogado, sociólogo, professor, programador), mas atua procurando adaptar sua especialidade às necessidades do grupo local. Esse é o caso da maioria dos assessores da PJ.

Fonte: pjotando.blogspot.com

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MINISTÉRIO DE ASSESSORIA

MINISTÉRIO DE ASSESSORIA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.

Desde do dia 15 de novembro, quando os coordenadores eleitos da PJ Arquidiocesana designaram a mim e ao meu amigo e irmão em Cristo, Eudes Inácio, a exercer o Ministério da Assessoria, que eu venho me preparando formamente e espiritualmente para exercer esta importante missão, tão esquecida pelos atuais grupos de jovens. Por isso, resolvi tecer alguns comentários desta missão.

Antes de mais nada, devemos lembrar que por trata-se de um ministério, a assessoria é um serviço. Logo, em hipótese alguma, quem for chamado por Deus a assessorar um grupo de jovem jamais deve se achar melhor ou superior a ninguém. Muito pelo contrário. O assessor deve seguir o exemplo do Assessor dos assessores, Jesus Cristo, e ser humilde e prestativo. Prepotência, arrogância e se achar o dono da verdade, o sabe-tudo, são defeitos totalmente dispensáveis a quem se sentir chamado a exercer qualquer ministério da Igreja.

Quem deve exercer este Ministério?

Na verdade, são todos homens e mulheres de boa vontade, de oração, conhecedores da Palavra e da doutrina da Igreja e de vivência da Palavra de Deus e dos Sacramentos da Igreja. É inaceitável um assessor que, por exemplo, que seja a favor do aborto ou que sequer participe da Santa Missa Dominical. O assessor deve lembrar que o testemunho de vida é essencial para exercer um bom ministério.

Além destes requisitos, o assessor deve ter o que eu chamo de óbvio: amor pela juventude. Se falta alguns destes, acredito e atesto que jamais deve assessorar um grupo de jovens. Na sociedade pós-moderna que vivemos, onde existem milhares de atrativos aos jovens, eles devem ser conquistados. E a última coisa que um jovem deseja é ter alguém mandão, grosso, sem nenhum trato e vocação para lidar com ele, na Igreja.

Em via de regra, o primeiro assessor e diretor espiritual da juventude é o Bispo e o pároco. Mas, devido a imensa missão que nossos sacerdotes possuem, religiosos e religiosas, leigos (catequistas, casais, jovens com bastante experiência de caminhada, Ministros Extraordinários da Comunhão, etc.), seminaristas, diáconos, entre outros são chamados por Deus a exercer a assessoria. A equipe arquidiocesana das Pastorais da Juventude, e dos movimentos juvenis exercem também este ministério. Porém, devido a demanda (no caso da nossa Arquidiocese de Maceió são mais de 70 Paróquias distribuídas em Maceió e mais 36 cidades), a assessoria das equipes arquidiocesanas fica muito limitada, praticamente nulas. O ideal é que cada Paróquia tenha no mínimo um assessor para está ao lado dos grupos e movimentos juvenis que lá atuam.

Algo importantíssimo devemos salientar é o papel de coadjuvante do jovem. A evangelização da juventude tem como único e exclusivo protagonista o próprio jovem. Em hipótese alguma, o assessor deve assumir o papel que é destinado por Deus ao jovem.

Em minhas andanças pela nossa Arquidiocese sou testemunha das consequências trágicas de pessoas de boa vontade que exerceram pessimamente e sem nenhum preparo este importante ministério. Vi juventude de Paróquias inteiras desaparecer, em virtude do término de um estágio pastoral de seminaristas, que errôneamente, chamaram a responsabilidade da evangelização da juventude apenas para si próprios e não se preocuparam em promover o protagonismo do jovem, reduzindo-o a mero cumpridor de suas ordens. Também testemunho irmãos e irmãs religiosas que fazem o mesmo, que se acham donas do grupo ou movimento juvenil, blidando-os, sequer deixando nós da PJ Arquidiocesana, ter contato com os jovens, impedindo-nos de exercer a missão que Deus nos confiou.

Vejo também assessores de boa vontade que ao invés de exercerem o seu Ministério, simplesmente por ignorância da sua missão, assumem o papel de coordenadores do Grupo de Jovens. Também nos deparamos com jovens-adultos, que são coordenadores vitalícios, impedindo o crescimento dos membros do seu grupo e o surgimento de novas lideranças. Por mais que tenham simpatiam pelos jovens e alguns sejam (como no caso dos seminaristas, casais, religiosos e religiosas), devem ter consciência da sua real missão, e que o protagonismo da evangelização juvenil é o próprio jovem.

A evangelização é um processo contínuo, portanto, precisar haver renovação. E o assessor deve ter consciência desta realidade e ajudar a coordenação do grupo a promover e despertar novas lideranças.


Recentemente, uma péssima forma de exercer assessoria, é de alguns membros de Comunidade de Vida, que simplesmente são meros recrutadores para as suas respectivas Comunidades. Esta prática bem intencionada, mas totalmente equívocada, tem como trágica consequência a extinção de grupos inteiros de jovens. Boa parte da juventude paroquial entrou em crise, em virtude da saída dos seus jovens para exercerem seus dons apenas no mundinho das Comunidades.

Mas nem só de péssimos assessores a Igreja é feita. Existem milhares de pessoas, leigas e religiosas, que Em nossa Arquidiocese, graças a Deus, vários são os seminaristas, casais, catequistas, membros de Comunidade de Vida, religiosos e religiosas, jovens-adultos, que exercem Divinamente este lindo ministério e deixam frutos nos Grupos e Movimentos Juvenis que assessoraram.

O Ministério de Assessoria é um impulso e segurança ao jovem, para despertar e exercer suas próprias capacidades. O assessor deve aconselhar, orientar, corrigir e elogiar o jovem, manter a harmonia entre os coordenadores entre si e com os demais membros do grupo, despertar os seus dons, carismas, criatividade, senso crítico e consciência de suas pontencialidades, auxiliar na sua formação integral, e ser amigo dos jovens, que muitas vezes não encontram acolhida e amor na Igreja e até mesmo dentro de seus próprios lares.

Em síntese, o assessor deve mostrar a direção para Cristo, Caminho, Verdade e Vida, mas quem deve trilhar O Caminho, Único e Verdadeiro, é o próprio jovem. Assessorar acima de tudo é cuidar e zelar para que o jovem trilhe corretamente O Caminho e com o seu testemunho fiel e autêntico, possa ser instrumento de Deus para tocar outros jovens a fazerem o mesmo.

Peçamos a Deus que envie mais assessores ungidos para a nossa juventude, que mesmo sendo opção preferencial da Igreja, tanto carece de atenção, carinho e cuidados.

Rick Pinheiro.
Assessor Arquidiocesano da Pastoral da Juventude, a partir de 01 de Janeiro de 2011.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

D. N. J.

MOTIVAÇÃO PARA GRUPO JOVEM

- Refletir e orar agradecendo pelo valor da vida;

- Perceber como Deus ama e quer muita vida para todos (Jo 10,10)
- Sentir como o pão dá a vida, quando é partilhado (CF85);
- Querer relações de justiça entre pessoas, classes, povos, para que ninguém
fique à margem da vida (Jo 10,15)
Introdução:
- Apresentação: Nome - Procedência - por que veio? (Criar ambiente de grupo
e de confiança mútua)
- Levar os Jovens a desejaram momentos fortes de diálogo com Deus e de
confronto com a sua Palavra. Escutar a resposta de Deus. Sentir a
importância do momento que está vivendo.
- O que é mesmo um retiro? Diferenciá-lo de um simples encontro. Clima de
silêncio. Ambiente físico favorável. Propostas de caminhada para os dois
dias: programação geral do retiro.


Textos Bíblicos:


O cego de nascença (Jo 9,1-41);
Samaritana (Jo 4,1-42);
Nicodemos (Jo 3,1-21);
Bom Pastor (Jo 10,1-21)
Multiplicação dos Pães (Jo 6,1-13 e 35-65)


Desenvolvimento
Convém dar uma breve explicação do texto de Jo 9,1-41: quem pecou - dia e a
noite - Siloé - Sábado - a Sinagoga, etc


1º Identificar
- Cegueiras e conflitos pessoais, na família, no grupo, na comunidade
(reflexão pessoal, escrever).
- Iluminação e confronto dessa realidade com o episódio evangélico "O cego
de nascença" (em grupos pequenos: preparar um roteiro, atitudes dos
discípulos de Cristo, do cego, dos pais, dos fariseus).
- Partilha no grande grupo – oração

Reflexão:
O Cego de Nascença vive seu problema pessoal de forma resignada e acomodada.
É acusado por Jesus. Toma consciência do que se passa e de sua identidade:
"Sou eu mesmo". De repente se vê metido num conflito com os fariseus que
ameaçam expulsá-lo da sinagoga (comunidade). Tenta fugir do conflito:
permanecer cego teria sido até mais fácil. Os pais, de medo, dão jeito de
cair fora. O cego vê-se desafiado a se posicionar: ao lado de Jesus, o que
lhe traz riscos e perseguições; ou ao lado dos fariseus, que permanecem na
cegueira e condenam Jesus. Finalmente assume a fé em Jesus Cristo e dá um
corajoso testemunho que lhe vale a explusão. Embora perseguido, sente-se
livre para uma nova dimensão de vida.

2º - Identificar conflitos sociais:
- Situações de cegueira, que geram miséria, fome, desemprego, marginalização
e morte de grandes grupos sociais. Identificá-los.
- retomada do texto bíblico (cego de nascença). Leitura dialogada, para
maior compreensão.

terça-feira, 23 de março de 2010

ESPECIAL SEMANA SANTA.

Confira no link abaixo o índice da série de artigos sobre Quaresma e Semana Santa para você trabalhar com o seu grupo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SÃO JOÃO BOSCO.

Apóstolo da juventude. Figura ímpar nos anais da santidade no século XIX, D. Bosco foi escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, tendo sobretudo exercido admirável apostolado junto à juventude, numa época de grandes transformações. Dotado de discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, era admirado pelos personagens mais conhecidos da Europa no seu tempo.
Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento. Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do ínicio do Século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.
Lar pobre e religioso; a mãe, exemplo de virtudes.
A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. "Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumultos [...] Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem a sua vontade à maneira de doce implacabilidade"[..].
"João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócio".
Talentos naturais e discernimento dos espíritos.
A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos, teve o primeiro sonho profético, no qual - sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores - foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.
Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, "se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que desse", dirá ele em sua autobiografia. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.
Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: "Ainda muito pequeno, já estudava o caráter dos meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração". Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.
Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos, sua mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim, o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num Café, aprendiz de alfaite, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios aos seus "birichini" nas escolas profissionais que fundará.
Vivendo de confiança na ajuda sobrenatural.
A vida de Dom Bosco é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas Igrejas - uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora. - prover de máquinas específicas, suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de caristia.
Para Pio XI, "em D. Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural; o extraordinário, ordinário; e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente".
Quanto mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitava. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.
Educador ímpa, e sobretudo, eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Dom Bosco escreveu-lhe a biografia e a de vários outros.
Necessitando Dom Bosco de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrando na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos. Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para atrás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim. Tornou-se ela a mãe de tantos "birichini", aos quais alimentava, vestia e ainda dava sábios conselhos. Foi seguindo seu costume que seu filho instituiu as belas Boa Noite, ou palavras edificantes aos meninos antes de eles irem dormir.
Escrevendo a reis e imperadores.
São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com liberdade que só os santos podem ter. Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante. Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus Salesianos no Brasil. Ao rei de Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.
São João Bosco morreu em Turim a 31 de Janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934.
Plínio Maria Solimeo.