quinta-feira, 26 de março de 2009

CONVERTERDES E CREDES NO EVANGELHO.

Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: “Vinde após mim e lhes farei pescadores de homens.” Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no. Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo. Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram. (Mat 4, 12-22)

Completou-se o tempo, é quase uma expressão para dizer: já chega, chega de pecado, chega de vivermos mergulhados nesse mundo que vai nos deformando. Jesus vem até nossa praia, onde estamos gastando o nosso melhor, para anunciar que completou-se o tempo, converterdes e credes na Boa Nova, no Evangelho. O que significa crer no Evangelho? Significa assumir o Evangelho como proposta de vida.

Nos cremos em muitas coisas e em muitas pessoas. Todas as pessoas têm fé, até os ateus têm muita fé. Inclusive tem fé em gente estranha, desconhecida. Nós também temos fé em pessoas estranhas, em pessoas que não conhecemos e que nunca vimos. E temos fé a ponto de arriscar a nossa vida.

Eu viajo de avião toda semana, às vezes três ou quatro vezes por semana. Não sei o nome do piloto. Pode ser um daqueles que treinaram em bater em prédios. Mesmo assim eu confio. Às vezes termina a Tenda em São Paulo, meia noite em embarco em um ônibus que vai até Curitiba. Eu deito o banco e durmo. Eu não pergunto o nome do motorista, nem peço a carteira de motorista dele. Você chega em um restaurante, pede a comida e come. Mas não sabe quem fez, nem o que ele colocou na comida. Eu acredito em gente que eu nunca vi. Acreditamos na palavra do mundo, basta a televisão dar uma notícia ou o jornal falar alguma coisa, nós acreditamos. Nós estamos acreditando em palavras velhas, e péssimas velhas, velharias medonhas, horríveis, que nos matam, que nos cegam, que vai nos despersonalizando. E deixamos de acreditar na boa nova, no Evangelho. Por que nossa vida vai mal? Porque não tomamos posse da graça de Deus. Ficamos quase igual Ana, que tinha como rival a famosa Fenena, que todo ano ficava atazanando a Ana. E embora o Elcana lhe amava em dobro, mais que dez filhos, assim mesmo ela não tomava posse do amor do marido e ficava brava com a Fenena. Por isso, ela entra na angústia. Quem continuar lendo Samuel vai perceber que Ana vai chorar as mágoas em Deus, vai derramar o coração diante de Deus, essa foi a grande graça de Ana.

Por que nós estamos vivendo as velharias, as notícias estragadas do mundo, as notícias estragadas do pecado. Não tomamos posse do Evangelho em nossa vida, e Jesus que vem na nossa praia, se apresenta para nós e diz: “Completou-se o tempo, chega”. É preciso dar um basta, nós somos de Deus, mas se nós não acreditamos nisso, quem é que vai acreditar? Só que para tomar posse dessa graça Jesus mesmo já anuncia o caminho. “Convertei-vos” O que é convertei-vos? É mudar o rumo, é mudar de direção. Convertei-vos segundo o versículo 17,18 e o 20 é largar tudo. O barco, o trabalho, o pai e os empregados. E o texto diz que eles imediatamente deixaram as redes e seguiram. Imediatamente Jesus os chamou e eles deixaram tudo e puseram-se a seguir Jesus imediatamente. Nós não nos convertemos porque ficamos protelando as coisas.

“Se Deus me ajudar um dia eu vou deixar. Ah, se isso acontecer em minha vida eu vou mudar”. Por isso não muda. Eles largaram tudo no mesmo instante. Até a família. Isso significa que se minha família está me levando para o inferno eu tenho que desatar dela. Não posso viver com quem me leve para o inferno, não posso deixar o inferno entrar dentro da minha casa. Mesmo que seja através de meu pai, de minha mãe. Que seja através de meus irmãos. É preciso converter. Cada um de nós é chamado a romper com o pecado, por isso eu preciso perceber o que está me levando a pecar? O que está me prendendo? Por que não somos de Deus, vamos nos tornando pessoas fracas.

Vamos imaginar a seguinte cena: Uma assembléia, talvez do tamanho de um acampamento da Canção Nova, talvez um pouco menor. Mais ou menos três mil e poucos bispos, cardeais e padres do mundo inteiro, reunidos em Roma para a abertura do Concílio Vaticano II. João XXII, papa cujo corpo está intacto ainda na Basílica. Quando o papa Pio XII morreu, a imprensa dizia que a igreja já tinha um candidato a papa. De fato era um homem muito santo e que estava sendo muito bem preparado, e que depois se tornou papa que foi Paulo VII. Mas como Paulo VII era muito novo, foi então escolhido João XXIII, o patriarca de Veneza. Um homem muito simples, um homem colono.

Na opinião da imprensa era um homem que não iria mexer com nada na igreja. Ele já era meio velhinho, iria ficar ali por dois ou três anos cumprir uma vaga e depois que ele morresse viria o verdadeiro papa. Era isso que a imprensa pensava, mas não era o que Deus queria, e João XXIII, aquele homem cheio do Espírito Santo convocou o Concílio Vaticano II e na abertura do Vaticano II, imagine a cena, isso há quase cinqüenta anos atrás. Estavam lá todos os bispos vestidos a caráter, como os bispos se vestiam naquele tempo. Sua Santidade o papa entra no auditório ou no saguão principal da Basílica de São Pedro. Não tenho muita certeza. Estava lotado. E qual foi a primeira palavra de sua santidade? Ele tomou o microfone com aquele sorriso gordo e maravilhoso, olhou para aqueles bispos e cardeais e começou a sua palavra de abertura do Vaticano II: “Irmãos do Episcopado, peçamos a Deus, a graça da nossa conversão”.


Quando João XXIII falou essa frase, teve bispo que desmaiou na hora. Teve bispo que se levantou imediatamente e se retirou da igreja. Lepherve foi um deles, que se desligou da igreja católica. Ainda hoje no Brasil, há um grupo de católicos que não aceitam a Renovação da igreja, e celebram a missa em Latim. São seguidores de Lepherve que não aceitou. “Onde já se viu o papa falar para nós bispos que precisamos nos converter. Conversão é para os pagãos e para os judeus que mataram o Senhor. Conversão é para os ateus e não para nós bispos da igreja”. E não foi só Lepherve, aqui no Brasil tiveram alguns bispos. E se tiveram alguns que não tiveram a coragem de se levantar, quando voltaram para as suas Dioceses deixaram muito claro pelos seus escritos que não aceitariam um papa fazer um convite desses.

Pois João XXIII estava sendo um grande profeta naquele instante, e que nós precisamos repetir essa profecia hoje.


Pe. Léo, scj

Disponível em: http://www.bethania.com.br/pt/artigos/artigo.php?artigo=artigos_MTkw

PENITÊNCIA? PARA QUÊ?



Começamos bem este tempo, mas depois parece que fica tão difícil.

Não comer carne, não tomar refrigerante, chocolate nem pensar e não abusar das mensagens do celular. Vídeo game só daqui a 40 dias! Mas do que vale tudo isso?

Será que não estou me privando de coisas tão boas que não têm nada de mau?

Poxa! Ao me preparar para viver esta Quaresma vejo que, às vezes, erro pensando que esse é um tempo de privação!

Não!

Mas é de buscar o sentido que falta!

Vejo que, muitas vezes, começamos bem esse tempo, mas depois parece que fica tão difícil...

Lembro-me dos anos que fiz penitência de não beber refrigerante. Nossa! A quantidade de festas que fui... e lá estando... quem eu encontrava?

Ele – o refrigerante!

Bebia e pronto.

Vejo que propósito eu tinha, o que me faltava era a motivação, e esta faltava, pois faltava o sentido!

E assim a Quaresma se tornou um tempo chato para mim!

Mas hoje vejo que a finalidade do tempo quaresmal é de preparação: se preparar!

Preparar para quê?

Para a Misericórdia de Deus!

E essa preparação consiste em receber o dom de Sua misericórdia — dom que recebemos à medida que abrimos o coração para Ele, lançando fora o que não pode conviver com a misericórdia.

Hoje vivo diferente minha Quaresma!

Em minha casa temos uma penitência comum a todos! Pois, enquanto casa, temos uma parcela de misericórdia que a nós está reservada.

Eu e minha namorada temos uma prática de oração comum neste tempo que nos prepara! Pois junto a ela quero e tenho reservado uma parcela da misericórdia!

Vejo que assim vou colocando sentido em cada prática e em cada penitência! E porque encontrei sentido, tenho motivação e se tenho motivação, vou a cada dia estando mais "de boa" para viver em todas as esferas de minha vida o tempo de preparar!

Lendo sobre o significado de conversão encontrei: "Processo através do qual as emoções se transformam em manifestações físicas".

Sair das emoções e partir para ações! Isso gera sentido. Isso abre espaço para misericórdia!
Então, mais que deixar de fazer isso ou aquilo! Por que você não faz isso?

Faça! Faça com sua família, faça com seus amigos, faça com sua (seu) namorada (o)!

A Quaresma então é para todos!

"Tamu junto"


Adriano Gonçalves
Adriano é apresentador do programa Revolução Jesus. Vai ao ar todas as 2ª feiras das 21:30 as 23:00 h na Tv Canção Nova. Programa jovem que tem como finalidade levar o telespectador a um encontro profundo e determinante com Jesus.

AMOR SEM LIMITES!


Tempo de Quaresma. Preparação para a Semana Maior. Olhamos para Jesus e mergulhamos no mar profundo do mistério de nossa salvação. Ressoa a grande verdade: “amando os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”(Jo13,1). Até o extremo nos amou. Tudo que podia amar, amou. Amou sem limites.

Não me canso de repetir que em Bethânia, enquanto não amarmos nossos filhos e filhas como uma mãe ama seu próprio filho dependente, ainda não teremos amado como ama o Coração de Jesus. Amor sem limites. Hoje, a medida para o meu amor em Bethânia são corações de mães que amam até as ultimas forças e conseqüências. Mães que enfrentam traficantes. Mães que passam noites em claro. Mães que dobram a jornada de trabalho para colocar comida na mesa. Mães que andam quilômetros atrás dos filhos em bocas de fumo. Mães que não se cansam e não desistem nunca.

Às vezes olhamos de longe e dizemos: ela é louca. Não tem mais jeito. Contudo, essa mãe sabe que o amor não desiste e se consome pelo amado. A estória abaixo me fez rezar. Ouvi de alguém muito especial que sem se dar conta ensinou meu coração de padre. Partilho com você.

“A guerra do Vietnã acabara. Um soldado americano liga para a mãe e diz: Mãe estou voltando para casa. A mãe muito feliz com a noticia quer saber quando ele volta e acentua que não vê a hora de encontrá-lo novamente. Afinal ela rezara tanto. O soldado conta detalhes de quando chegará. No meio da conversa complementa: Mãe, não voltarei sozinho, vou levar um amigo comigo. A mãe do outro lado do Pacifico diz ao filho: que bom, quem é? O filho continua: é também um grande soldado, mãe. Só tem um problema. Esse meu amigo perdeu um abraço e uma perna em combate. A mãe diante da novidade diz: meu filho, pensando bem é melhor não trazê-lo. Imagine. Sem braço e sem perna, nos dará muito trabalho. Vai mudar toda a rotina da casa. O filho insiste. Mas mãe, ele é um cara muito legal, não dará trabalho não e além disso não tem família. A mãe retruca: Filho, não insista. Imagine.Vai nos tirar a paz! O filho fez de conta que compreendeu e despediu-se. Vinte e poucos dias depois, na porta da casa da mãe do soldado, um carro preto estaciona. O motorista se intitula agente funerário e diz que os moradores da casa precisam reconhecer o corpo. Assustados se aproximam do furgão e pelo vidro mesmo vêem o corpo de um jovem mutilado. Jaz sem o braço e a perna direita. O agente lê o nome. É o mesmo nome do seu filho. O agente continua: pois é, esse rapaz, valoroso soldado, foi mutilado em combate. Chegou a ser condecorado pelo exercito americano. Mas faz vinte e poucos dias que ele deu um tiro em sua própria cabeça. Junto dele apenas um bilhete e penso ser para vocês: “Pai, mãe desculpem. Mas não quero atrapalhar a vida de ninguém! Adeus”. A mãe entendeu; debruçou-se sobre o corpo do filho e chorou amargamente”.

Fico pensando como seria diferente se essa mãe tivesse visto o filho antes da conversa. Recuso-me a ser daqueles que dizem que a maternidade é apenas uma ligação instintiva e cultural. Não! Tem o dedo divino. Verdadeiras mães amam num amor cuja fonte é o próprio Deus. O Criador plantou em seus corações de mãe um amor puro capaz de garantir e cuidar da vida. Testemunho o que vejo em Bethânia.

Pois bem, enquanto não amarmos como essas mães capazes de tudo pelos filhos, ainda não amamos. Quem ama não coloca empecilhos e barreiras ao amor. Ama por saber que a essência do verdadeiro amor é amar. Ama, pois assim Jesus nos amou.

Reze e peça: Jesus, dai-nos um coração semelhante ao Teu!

Fique na paz de Deus!
Pe. Vicente , scj

Disponível em: http://www.bethania.com.br/pt/artigos/artigo.php?artigo=agenciacatolica_NTE=


QUARESMA: REDESCOBRIR O ALTRUÍSMO



Não acontece apenas no Brasil. O mundo inteiro anda de portas fechadas, cadeados, fechaduras, alarmes, guardas, muros com cacos de vidro, cães ferozes no pátio para se defender dos ladrões, dos assaltantes e dos assassinos. Eles invadem, roubam e, às vezes, seqüestram e matam. Voltou o banditismo com o seu poder de amedrontar. Voltou a violência organizada com lucros de trilhões de dólares. Não nos esqueçamos da violência estatal e suas guerras cuidadosamente arquitetadas. Refloresce o egoísmo, agoniza o altruísmo!

Mas é bom que todos saibam que guerras estratégicas por petróleo e hegemonia, assaltos, seqüestros e roubos silenciosos não são as únicas formas de violência que assustam o povo. Há o preço exorbitante, a exploração, o desvio de verbas, os bilhões em contas secretas, a filha seduzida, o filho drogado, o ponto de pó na esquina, o estupro, a ameaça de morte para quem falar, os pais que espancam, a babá que maltrata...

A insegurança determina a vida de bilhões de pessoas, milhões delas no Brasil. Quem não tem o conceito de pessoa, coisifica-se e coisifica os outros. Os violentos ou corruptos não se sentem iguais, acham-se mais. Por isso não olham suas vitimas como pessoas. Viram alvo e presa. É a lei da selva. Sentem-se leões ou hienas. Quando podem, atacam.

A Campanha da Fraternidade com o seu tema, que suponho já seja de todos conhecido: Fraternidade e Segurança Pública e seu Lema: A paz é fruto da justiça, entra de cheio no conceito de pessoa, de justiça, direitos humanos, paz e convivência. Seria maravilhoso se alguns dos nossos deputados e senadores que se consideram cristãos passassem uma lei que tornasse obrigatório o ensino da paz e da convivência nas escolas: do primeiro ano do primário ao ultimo ano de faculdade.

Sugerimos a matéria Subsídios para a Convivência ou Educação para a Paz. Há tanto que ensinar, que os doze a quinze anos de escola mal bastariam para formar um cidadão, que amanhã vai servir no comércio, na escola, nas ruas, na indústria ou num parlamento. Terá se formado na escola do “nós, o povo” e aprendido qual o lugar do “eu em meu povo”.

A Igreja do Brasil esta propondo exatamente isso: que nos reeduquemos para os outros; que o nosso “eu” se encaixe e não esmague; que não crucifiquemos e, sim, que tiremos da cruz; que ninguém se ache mais do que o povo e que cada brasileiro tenha recebido em família, na escola, nas igrejas, na mídia e nos outdoors suficiente motivação para ser mais pessoa, mais respeitador das pessoas, menos individualista, e menos egoísta. Queremos ou não queremos um Brasil menos violento?
Pe. Zezinho, SCJ

PERDOAR E PERDOAR E PERDOAR


Que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão.O perdão é essencial em tudo na vida.Irmãos que não se perdoamse sentem mal em casa dos pais.Pais que não perdoamacabam sem carinho dos netos.Quem não perdoa não deve formar família.Vai fazer alguém infeliz.Casamento é para quem perdoa.Para pessoas sadias.Porque perdoar é coisa de gente sadia de alma.

O de alma ruim não perdoa.E ainda ameaça matar a mulher que reagir.Gente que se sente maior do que Deus não perdoa.Porque Deus é infinito, mas perdoa.Eles não!Sua majestade ofendida não descansa enquanto não dá o troco.Faz como o escorpião, que se envenena, mas não aceita perder.

Perdoar faz parte do amor e da decência.Você não tem que aceitar novas ofensas,mas não pode viver das antigas.Dá para perdoar e continuar bobo.E é possível perdoar e ser esperto.Família que não perdoa se esboroa!E quem jamais perdoa acaba um sujeito à-toa.Tomara que a vida não lhe doa!


Pe. Zezinho, scj
Do livro: Orar e pensar como família - Paulinas


Disponível em: http://www.padrezezinhoscj.kit.net/entrar_artigos.htm

O QUE É QUARESMA?


O que quer dizer Quaresma?
A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.
Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.
Qual o significado destes 40 dias?
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.
O que os cristãos devem fazer no tempo de Quaresma?
A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência
Retirado do site dos Padres Salesianos (http://www.auxiliadora.org.br/)
COMO SE CALCULA A PÁSCOA? QUANDO VAI CAIR?
A Páscoa sempre acontece na primeira lua cheia após a primavera na Europa (outono aqui no Brasil). A primavera na Europa tem um enorme significado de vida, pois durante o inverno toda a natureza fica morta, ressurgindo com o início de uma nova estação. Podemos fazer uma analogia da primavera com a Ressurreição de Jesus, que vence a morte.
Bem, como estávamos falando, quando descobre-se qual o dia da primeira lua cheia da primavera, então passam-se a contar 40 dias (quaresma) para trás, sem incluir os domingos. Então chega-se à data que será a Quarta-Feira de Cinzas e o início da quaresma. Por isso, a Páscoa é uma data móvel, assim como a Sexta-Feira Santa, a Quinta-Feira Santa, o Carvanal etc.

QUARTA FEIRA DE CINZAS

Você sabe de onde vêm as cinzas que recebemos na Quarta-Feira de Cinzas? Você acha que é papel queimado? graveto queimado? carvão triturado? Se você não sabe, as cinzas vêm dos ramos bentos do Domingo de Ramos do ano anterior.

Quando recebemos os ramos no Domingo de Ramos, os levamos para as nossas casas e as colocamos junto aos nossos crucifixos de parede e ou junto aos nossos oratórios, mas com o tempo eles secam. Quando secam, não devemos jogá-los fora, pois foram bentos pelo sacerdote. Por isso, devemos entregá-los na igreja para que sejam queimados e transformados em cinzas, a fim de serem usadas no dia de Quarta-Feira de Cinzas. No dia de Quarta-Feira de Cinzas, os fiéis são marcados na testa com as cinzas em forma de cruz ou a recebem um pouco sobre as suas cabeças, quando o secerdote pronuncia a seguinte frase, à sua escolha: - "Lembra-te que és pó e que ao pó voltarás!" ou "Convertei-vos e crede no Evangelho!"

Bem, agora ofereceremos um belo artigo de um frade franciscano para que todos possam compreender melhor o significado deste dia:

"Um pouco mais de um mês, e vai chegar a festa mais importante do ano, a celebração do acontecimento central e máximo de toda a história da humanidade. Está se aproximando a Páscoa. E porque ela é tão grande, merece uma preparação à altura. Começa nesta quarta-feira a nossa preparação para a Páscoa. E como inauguramos esta preparação? Colocando cinza sobre a nossa cabeça, como sinal de penitência, isto é, como sinal de que estamos dispostos a nos alinharmos no caminho de Deus com seu projeto de justiça e paz para todos. Além disso, passamos esse dia fazendo jejum, também como sinal de penitência. Serão então quarenta dias de preparação: Quaresma…

Quarta-feira de cinzas! Celebramos neste dia o mistério do Deus misericordioso que acolhe nossa penitência, nossa conversão, isto é, o reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais, pecadoras. Conversão que consiste em crer no Evangelho, isto é, aderir a ele, viver segundo o ensinamento do Senhor Jesus. Numa palavra, trata-se de entrar no caminho pascal de Jesus. “Convertei-vos, e crede no Evangelho”: é o convite que Jesus faz (cf. Mc 14,15). Esta palavra, a gente ouve, recebendo cinzas sobre a nossa cabeça. Por que cinzas? É para lembrar que, de fato somos pó! Mas não reduzidos a pó!…

A fé em Jesus ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. Quando o ser humano reconhece sua condição de criatura realmente necessitada da ação de Deus, em Cristo e no Espírito, então Jesus Cristo faz brotar vida de nossa condição mortal. Reconhecer-se assim, é entrar numa atitude pascal, isto é, de passagem com Cristo da morte para a vida.

Esta páscoa, a gente vive na conversão, através dos exercícios da oração, do jejum e da esmola ou partilha de bens e gestos solidários, no espírito do Sermão da Montanha. Páscoa que celebramos na Eucaristia, pela qual aclamamos Deus como aquele que, acolhendo nossa penitência, corrige nossos vícios, eleva nossos sentimentos, fortifica nosso espírito fraterno e, assim, nos dá a graça de nos aproximarmos do seu jeito misericordioso de ser, e nos garante uma eterna recompensa. Por isso que o sacerdote, em nome de toda a assembléia, canta na Oração Eucarística: “Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso…, vós acolheis nossa penitência como oferenda à vossa glória. O jejum e abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados […]

Pela penitência da Quaresma, vós corrigis nossos vícios, elevais nossos sentimentos, fortificais nosso espírito fraterno e nos garantis uma eterna recompensa” (Prefácio da Quaresma III e IV). Junto com a oferta total de Cristo ao Pai, pelo Espírito Santo, na Liturgia eucarística, une-se também a oferta de nossa penitência quaresmal. E Deus, por sua vez, nos recompensa com o corpo entregue e o sangue derramado de seu Filho Jesus, na santa comunhão.
Que o Cristo pascal nos ajude, para que o nosso jejum seja realmente agradável a Deus e nos sirva de remédio para a cura dos nossos vícios. E assim possamos celebrar dignamente a santa Páscoa de Cristo e nossa Páscoa.


Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1. Qual o sentido da Quarta-feira de cinzas na vida do cristão?
2. Por que a Igreja usa cinzas no início da preparação para a Páscoa?
3. Que é importante cultivar na comunidade e nas celebrações, no tempo da Quaresma?"



(www.cnbb.org.br - autor: Frei José Ariovaldo da Silva, OFM - texto com uma pequena modificação)



Disponível em:
http://www.cantodapaz.com.br/blog/2008/02/03/quarta-feira-cinzas/

QUARESMA: TEMPO DE CONFISSÃO, POR QUÊ?


Preparação para o Sacramento da Reconciliação

Por que se confessar?
Porque é o Sacramento da Misericórdia de
Deus. Quase todo dia a gente cai e se levanta. Ninguém quer ficar no chão. A gente pisa em falso porque não enxerga bem os passos e o caminho de Jesus. Erramos de caminho. Atrapalhamos a caminhada uns dos outros. Deus sempre dá a mão para a gente se deixar reconduzir. No sacramento da Penitência celebramos a coragem de pegar de novo na mão de Deus e voltar a andar no caminho dEle, que é o caminho da santidade. Pela confissão a gente recupera aquele estado de purificação e santidade que recebemos no Batismo.

Quem inventou a Confissão?
Jesus Cristo. Ele sempre convidou à penitência e à mudança de vida. Ele oferece sempre o perdão. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); “Vai e não peques mais” (Jo 8,11); “estão perdoados os teus pecados” (Mt 9,2); “A quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23).

Por que se confessar com o sacerdote, se ele também é pecador?Ninguém cresce sozinho, nem na vida biológica, nem na vida profissional… Nem na vida cristã. Precisamos uns dos outros. Somos uma comunidade de irmãos.

Jesus deu aos Apóstolos (e seus sucessores) o poder de perdoar pecados: “a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,23).

Só Deus perdoa os pecados. Jesus exerce esse Poder Divino, e, em virtude de sua autoridade, transmite esse poder aos homens, para que o exerçam em seu Nome. Não é o padre quem nos perdoa, pois ele mesmo, ao final da confissão, diz: "Eu te perdoo EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO
ESPÍRITO SANTO. É Deus quem nos perdoa através do sacerdote.

Muitas pessoas não sabem, mas os padres também se confessam com outros padres. Da mesma forma os bispos, os cardeais e o Papa. Eles também se confessam com frequência e muitos possuem até um orientador espiritual para os auxiliar na caminhada rumo a Deus.

Com que frequência devo me confessar?
A Igreja
recomenda AO MENOS uma confissão por ano, na ocasião da Páscoa. Mas não é verdade que ninguém gosta de receber o salário mínimo? Pois é. Na nossa vida espiritual também deve ser assim. Não devemos nos contentar com o mínimo. Devemos nos confessar sempre que nossa consciência nos acusar de alguma falta.

Quais as consequencias do pecado e da falta de confissão?
As consequências negativas do pecado não são apenas a nivel individual. São, de igual modo, comunitárias e eclesiais (para toda a
Igreja).

Podemos fazer uma comparação com uma imagem para que você possa compreender melhor. A Igreja seria como o pneu de uma roda de bicicleta. Essa roda possui vários raios (varetas) que se ligam ao pneu. Nós somos esses raios. Cada vez que alguém peca, um raio entorta e o movimento da roda fica comprometido. Se o pecado é grave, o raio entorta bastante. Por isso, é preciso que todos os raios da roda estejam bem ajustados, para que o todo não seja comprometido.

Como fazer uma boa confissão?
1. Reze ao Espírito Santo pedindo sua Luz para conhecer a Palavra e reconhecer sinceramente seus pecados.
2. Examine sua consciência, faça uma revisão de vida, desde a sua última confissão.

Perguntas para ajudar:

Examine-se - ajudado por estas perguntas: que pecados cometeu desde sua última confissão? Procure não ficar somente no exterior, mas analise as atitudes do coração e as omissões.

RUPTURA COM DEUS:

Amo de verdade a Deus com todo meu coração ou vivo apegado às coisas materiais?Preocupei-me em renovar minha fé cristã através da
oração, a participação ativa e atenta na Missa dominical, e a leitura da Palavra de Deus, etc.? Guardo os domingos e dias de festa da Igreja? Cumpri com o preceito anual da confissão e da comunhão pascal?

Tenho uma relação de confiança e amizade com Deus, ou cumpro somente os ritos externos? Professei sempre, com vigor e sem temores minha fé em Deus? Manifestei minha condição de cristão na vida pública e privada?

Ofereço ao Senhor meus trabalhos e alegrias? Recorri a Ele constantemente, ou só o busco quando necessito?

Tenho reverência e
amor ao nome de Deus ou o ofendo com blasfêmias, falsos juramentos ou usando seu nome em vão?

Troquei a minha fé por crendices? Tenho freqüentado outras igrejas?

RUPTURA COMIGO MESMO:

Sou soberbo e vaidoso? Considero-me superior aos demais? Busco aparentar algo que não sou para ser valorizado pelos outros? Aceito a mim mesmo, ou vivo na mentira e no engano? Sou escravo de meus complexos?

Que uso tenho feito do tempo e dos talentos que Deus me deu? Esforço-me para superar os vícios e más inclinações como a preguiça, a avareza, a gula, a bebida, a droga?

Caí na luxúria com palavra e pensamentos impuros, com desejos ou ações impuras? Fiz leituras ou assisti a espetáculos que reduzem a sexualidade a um mero objeto de prazer? Cometi adultério? Recorri a métodos artificiais para o controle da natalidade?

RUPTURA COM OS IRMÃOS E COM A CRIAÇÃO:

Amo de coração a meu próximo como a mim mesmo e como o Senhor me pede que ame? Em minha família colaboro em criar um clima de reconciliação com paciência e espírito de serviço? Os filhos tem sido obedientes a seus pais, rendendo-lhes respeito e ajuda em todo momento? Os pais se preocupam em educar de maneira cristã a seus filhos e de orientá-los em seu compromisso de vida com o Senhor?

Abusei de meus irmãos mais frágeis, usando-os para alcançar meus fins?

Insultei a meu próximo? Escandalizei-o gravemente com palavras e ações? Se me ofenderam, sei perdoar, ou guardo rancor e desejo de vingança?

Compartilho meus bens e meu tempo com os mais pobres, ou sou egoísta e indiferente à dor dos demais? Participo das obras de evangelização e promoção humana da Igreja?

Preocupei-me pelo bem e a prosperidade da comunidade humana em que vivo ou passo a vida me preocupando somente comigo mesmo?

Cumpri com meus deveres cívicos? Paguei meus tributos? Sou invejoso? Sou fofoqueiro e charlatão? Difamei ou caluniei a alguém? Violei algum segredo? Fiz juízos temerários sobre os outros?

Sou mentiroso? Causei algum dano físico ou moral a outros? Fiz inimizades com ódio, ofensas ou brigas com meu próximo? Fui violento? Procurei ou induzi ao aborto?

Fui honesto em meu trabalho? Usei retamente a criação ou abusei dela para fins egoístas? Pratiquei roubo? Fui justo em relação a meus subordinados tratando-os como eu gostaria de ser tratado por eles?

Participei em venda ou consumo de drogas? Pratiquei fraude? Passei cheque sem fundo? Recebi dinheiro ilícito?

3. Arrependimento ou contrição por ter pensado ou agido contra os ensinamentos de Deus. Pedir ao Espírito Santo a graça de reconhecer seu pecado, e de sentir dor por ter pecado.

4. Confissão ou ato de acusação ao Padre. Chegando diante dele diga-lhe: “Padre, dá-me a benção porque pequei. Há… tantos meses (anos) não me confesso. Meus pecados são…” confesse somente os seus pecados; não precisa dar justificativas ou explicações de seus pecados.

5. Penitência: são as obras que o Padre exorta a fazer (orações, jejuns, oferta aos pobres, reparação…) reze, também, o ato de contrição, como segue o exemplo:
“Meu Deus, eu me arrependo de todo o meu coração, de vos ter ofendido, porque sei que sois bom e amável. Prometo com a vossa graça nunca mais pecar. Meu Jesus Misericórdia”.

6. Compromisso ou bom propósito de mudança de vida a partir da confissão.

DOUTRINA

O pecado é antes de tudo uma ofensa a Deus, uma ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado à comunhão com os irmãos (Catecismo da Igreja Católica 1440).Pecado mortal é aquele cuja matéria é grave, é cometido com plena consciência e deliberadamente. Exemplos: assassinato, adultério, roubo, falso testemunho, aborto. (Catecismo da Igreja Católica 1857-1858)

É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado, e começa a ter medo de ofender a Deus e ser separado d’Ele. O coração humano converte-se olhando para o coração transpassado de Jesus (Catecismo da Igreja Católica 1432).
Efeito da confissão: pela confissão, somos enriquecidos com a graça de Deus, pois nos unimos a Ele com a máxima amizade. Este Sacramento tem como efeito a Reconciliação com Deus, que nos proporciona paz e tranqüilidade da consciência. Este Sacramento traz uma verdadeira “ressurreição espiritual”: o pecado mata, o perdão vivifica (cf. Lc 15,32). Este Sacramento, também, nos reconcilia com a Igreja (irmãos e irmãs), pois o pecado quebra a comunhão fraterna, a confissão e o perdão reparam a vida e comunhão (Catecismo da Igreja Católica 1468).

“A reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo de seu ser, onde recupera a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que de alguma maneira ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação”. (Reconciliação e Penitência, 31).

Santo Ambrósio fala de duas conversões na Igreja: “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência”.(Catecismo da Igreja Católica 1429).

São Jerônimo ensina que, os que agem tentando ocultar, conscientemente, alguns pecados, não colocam diante da bondade divina o que ela possa remir por intermédio do sacerdote… e se o doente insistir em esconder do médico sua ferida, como poderá a medicina curá-lo? (Catecismo da Igreja Católica 1456)

(fonte: www.paroquiasaovicenteferrer.com.br - exceto os acréscimos: "Por que se confessar com o sacerdote, se ele é também pecador?", "Com que frequência devo me confessar?" e em "Quais as consequencias do pecado e da falta de confissão?")

Disponível em:
http://www.cantodapaz.com.br/blog/2009/03/14/quaresma-tempo-confissao/

A IMPORTÂNCIA DO TEATRO CRISTÃO NA SEMANA SANTA.

Escrevo este artigo com um enorme saudosismo, afinal, foram 15 anos participando de encenações da Paixão de Cristo e Via-Sacra, em especial na minha antiga Paróquia do Divino Espírito Santo, na Jatiúca.

Lembro-me que a Quaresma para nós “atores e atrizes de Cristo” era época de preparação também para encenarmos a Vida, Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, antes mesmo de iniciar a Quaresma, exatamente no mês de Janeiro, iniciávamos os ensaios. Abrir mão da praia para ensaiarmos debaixo de um sol quente, as horas que gastávamos confeccionando figurinos e os materiais utilizados nas apresentações eram também os nossos sacrifícios quaresmais.

Tantas loucuras. Tantas brincadeiras entre nós, tantos erros de bastidores que nos fazem rir toda vez que recordamos. Certa vez, eu e meu grande amigo-irmão Bruno Vinicius entramos no Vale do Reginaldo a procura de um burrinho para a cena da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Outra vez, um amigo nosso que interpretava Pilatos errou o texto no momento da apresentação e ordenou ao guarda que “Matasse Jesus, O flagelasse e depois O libertasse”. Até eu já paguei alguns micos. No ano que interpretei Pilatos, ao entrar em cena, minha armadura se soltou e eu me engasguei com uma uva que “minha serva” tinha acabado de dar. Já tivemos Jesus que caiu da cruz, Dimas, o ladrão bom, e sua cruz caindo numa perfeita sincronia, armaduras e capacetes quebrando em cena, jogo de luz e gelo seco que não funcionaram na hora exata que seriam usados, porta do sepulcro fechado na hora dos atores sepultarem Jesus, Salomé dançando sem música por que o CD travou, enfim, foram tantos momentos divertidos que a maioria deles não foi percebido pelo público que estava emocionalmente envolvido com as passagens do Evangelho que eram dramatizadas.

Como nossa vida, tivemos também muitas tribulações. Tantas foram as brigas por causa de vaidade; Muitos foram aqueles que não assumiram o compromisso com Cristo e deixou de participar da peça até mesmo na hora da apresentação. Recordo-me que a última Paixão de Cristo que realizamos metade do elenco estava intrigado um com os outros e dividido em dois grupinhos. Mas Deus é tão perfeito, que mesmo nesse clima pesado de bastidores, foram as melhores apresentações que fizemos, de tal maneira que deixamos de realizá-la até hoje quando percebemos que não tínhamos condições de realizar uma do mesmo nível daquela. Mas tudo que aconteceu, fatos bons e ruins, nos fortaleceram e nos tornou jovens cristãos melhores.
Muitos jovens têm seu primeiro contato com Cristo e sua Igreja graças a um convite para um personagem ou figurante na encenação da Paixão de Cristo e da Via-Sacra. Testemunho e certifico essa afirmação. Das duas peças que a juventude paroquial da Divino Espírito Santo realizava (hoje apenas a Via-Sacra é encenada), saíram grandes líderes jovens que até hoje, depois de tantos anos que participaram da peça, estão engajados na Messe do Senhor. Inclusive temos hoje um padre, um recém diácono e uma postulante a vida religiosa carmelita que participaram das apresentações. Jovens alegres, que assumem com amor a missão na messe do Senhor.

Não escrevo apenas este artigo para recorda-me do meu passado recente, mas também principalmente para incentivar a todos que o lêem a realizar na Sua Paróquia, com a devida autorização do Pároco, dramatizações da Paixão de Cristo e/ou da Via-Sacra. Graças a Deus na nossa Arquidiocese os jovens utilizam a arte do teatro para contar os momentos decisivos da Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e consequentemente da nossa redenção. Divino Espírito Santo (Jatiúca), Santo Antônio (Bebedouro), São Vicente (Graciliano Ramos), Santa Maria Madalena (União dos Palmares) são apenas exemplos.

A arte do teatro é um dom de Deus e pode converter milhares. Lembro-me de uma apresentação da Via-Sacra encenada. Uma das estações seria encenada numa casa em frente a um bar. Neste bar, no momento da apresentação, havia algumas pessoas que aparentavam beber a muito tempo. Ao verem a procissão da Via-Sacra aproximando, desligaram imediatamente o som e respeitosamente levantaram-se e assistiram atenciosamente a dramatização daquela estação. Logo após a procissão ir, eles voltaram a beber, mas tenho certeza que naquela noite a mensagem foi passada. Deus nos usa no momento certo, na hora certa e tenho certeza que a semente do Evangelho foi plantada no coração daquelas pessoas.

É bom temos em mente que não somos estrelas, nem tão pouco temos os meios suficientes para fazer um espetáculo ao estilo Nova Jerusalém. Mas com amor, carinho e muita força de vontade podemos fazer uma grande evangelização e trazer muitos corações para Cristo.

Seja você também Sal da Terra e Luz do Mundo e use o dom que Deus lhe deu para servi-LO.



Rick Pinheiro
Coordenador da Pastoral da Juventude Arquidiocesana.
Arquidiocese de Maceió.

DICAS IMPORTANTES PARA APRESENTAÇÕES TEATRAIS NA SEMANA SANTA


Após mostrar a importância das apresentações teatrais na Semana Santa, através do testemunho da minha experiência, escrevo agora algumas dicas que eu considero importante para uma eficaz evangelização através da arte do teatro.

Antes, porém, quero fazer uma distinção entre a encenação da Paixão de Cristo e da Via-Sacra. Esta consiste na dramatização das 14 estações do itinerário de Jesus até sua morte. A 15ª estação, a ressurreição, sugiro que converse com seu pároco se será encenada no dia da apresentação (que geralmente é na quaresma ou na Sexta- Feira Santa) ou no domingo da Ressurreição. Geralmente, por trata-se de uma Via-Sacra é encenada pelas ruas da comunidade, numa caminhada penitencial. Em algumas paróquias, a dramatização da Via-Sacra se passa nos dias de hoje, de acordo com o tema da Campanha da Fraternidade. Também nesse caso converse com o seu pároco.

Já dramatização da Paixão de Cristo narram às últimas horas de Jesus na Terra, que vai da Santa Ceia até a ressurreição. Muitas destas apresentações teatrais narram também outros fatos da vida de Jesus como, por exemplo, Seu batismo, tentação no deserto, Entrada Triunfal em Jerusalém, etc. Geralmente é feita no local onde o público assiste sentado e raramente saem pelas ruas da Paróquia.

Seja qual for à dramatização que será realizada na sua Paróquia, o mais importante é que as apresentações sejam organizadas com antecedência, afinal, para Deus temos quer dar o nosso melhor.

Feita as devidas definições, vamos às dicas.

Primeiramente, é a organização de uma equipe de coordenação. Definir a função de cada um. É necessário que a equipe esteja em perfeita harmonia, para isso é necessário o companheirismo e principalmente a oração por parte de todos. Devem ter em mente que não melhores que os demais que farão parte da apresentação teatral, mas são servos com a responsabilidade maior que os outros. Portanto, como servos de Deus a equipe deve ter joelhos no chão e humildade. De preferência a equipe de coordenação não deve fazer parte do elenco, pois dificilmente conseguirá desempenhar a dupla missão de interpretar e coordenar a apresentação.

A segunda dica o texto deve ser elaborado tendo como fonte exclusiva os Evangelhos. Deve-se ter o cuidado especial na questão da concordância verbal e ter o máximo de cuidado de evitar colocar falas e personagens a mais do que existe nos Evangelhos. Elaborado o texto, leve-o imediatamente para o seu pároco para sua aprovação e correção. Outra preocupação em relação ao texto é utilização de uma linguagem simples, de fácil compreensão, afinal o principal motivo das apresentações teatrais cristãs é evangelizar e não entediar o público ou travar a língua do ator de Cristo em cena. Por outro lado, também não podemos empobrecer e reduzir a Palavra de Deus a mediocridade de um texto cheio de gírias e expressões atuais. O ideal é usar a Bíblia na versão Ave Maria, Pastoral, CNBB ou Jerusalém. Essa última tem a vantagem de se assemelhar a língua original da Palavra de Deus.

A terceira dica é sobre quem deve participar. Antes de tudo, o elenco não pode ficar limitado apenas ao grupo ou ministério de teatro da Paróquia. Todos os jovens, engajados ou não, devem ser chamados para participar. A peça teatral evangelizadora é uma grande e excelente oportunidade de entrosar os grupos paroquiais e trazer novos jovens para a Igreja de Cristo.

Evidente que nem todos têm o dom de interpretar ou dicção para isso. Outros até têm, mas por serem tímidos demais não assumem a missão. Estes que não aceitarem está diante do público, são valiosos servos na produção. Alguns são capacitados para buscar patrocínios, outros para levantamento e compra de materiais, para manipular o som, jogo de luz e gelo seco na hora da apresentação, enfim, ninguém pode ser dispensando da apresentação teatral da Semana Santa, pois cada um, com seu dom, irão contribuir para a realização da mesma.

Ainda sobre o “material humano” (expressão usada pelo meu amigo figuraça Stênio uma lenda viva na Paróquia Divino Espírito Santo quando o assunto é evangelizações teatrais), cada um deve ter a humildade e disponibilidade de servir de acordo com que a equipe de coordenação determinar. O mais importante não é a pessoa que irá interpretar Jesus Cristo, Nossa Senhora, Pilatos, Madalena, Judas, Pedro, Cirineu, Verônica, Herodes, entre outros. Não existe apresentação apenas com os personagens centrais sem os figurantes que interpretam o povo e os guardas. Também não existe apresentação sem o pessoal da produção, aqueles que vão trabalhar nos bastidores. Enfim, para que ocorra a apresentação teatral evangelizadora é necessária à participação e dedicação de todos.

Os ensaios e a pré-produção da peça devem ser levados a sério. Muitas vezes cairmos no grave erro de por ser voluntário e ninguém ser profissional, fazemos de qualquer jeito. Isso não pode acontecer em hipótese alguma. Assistir uma vez uma Paixão de Cristo encenada por um grupo jovem adventista, que tinha no elenco menos de 10 pessoas e umas 5 na produção. Eles dramatizaram de forma simples, mas emocionante as últimas horas de Nosso Senhor que até hoje me lembro desta montagem. Por outro lado assistir uma Paixão de Cristo com quase 100 pessoas no elenco, que sinceramente, estava mais para Paródia do que para o drama da Paixão (Para ter idéia da desorganização um dos ladrões na cruz, mascava chiclete e posava para as fotos). Com certeza aqueles 15 jovens assumiram a missão com amor, responsabilidade e dedicação.

Quando encenamos uma Paixão de Cristo ou Via-Sacra estamos evangelizando em nome de Deus e como tal não podemos fazer de qualquer jeito. Porém, não podemos levar a sério demais, afinal somos servos e não carrasco dos outros. Certa vez, numa determinada comunidade de outro Estado, a apresentação da Paixão de Cristo foi cancelada, pois a pessoa que coordenava o grupo teatral da Comunidade era ator profissional e não conseguia escalar ninguém para a peça, pois não tinha, segundo ele, “atores de verdade” para que a peça fosse realizada. A evangelização deixou de acontecer por que aquele jovem não teve a humildade suficiente, que ele antes de ser um profissional, é um servo da Messe do Senhor.

O ideal é que mostre sobre a seriedade e e responsabilidade de participação de uma apresentação teatral evangelizadora, mas sem rigor exagerado. Deve-se, desde primeira reunião, criar um clima amistoso e acolhedor, mas mostrando a responsabilidade que evangelizar através do teatro. Saber repreender no momento certo, na hora certa e no tom de voz certo, e criar esse clima de amizade entre todos que irão servir na peça teatral é primordial. Os ensaios muitas vezes são enfadonhos e sem o clima amistoso, a humildade e a disposição em servir, a tendência será a evangelização não ser realizada ou ser feita de modo inadequado.

A dica que eu considero a mais importante é a oração. Ensaios são necessários e importantes, mas se não houver momentos de oração entre todos que irão participar da apresentação. O fato que eu narrei no artigo anterior onde fizemos duas apresentações da Paixão de Cristo com metade do elenco intrigado uns com os outros é um bom exemplo da importância da oração. Com esse clima pesado entre nós, o que nos unia era justamente as adorações que fazíamos antes de cada ensaio. Naquele momento, mesmo sem nos falamos uns com os outros, uníamos em adoração ao Senhor.

Não espere que apareçam as dificuldades, nem tão pouco para o momento das apresentações para realizar momentos de oração entre todos que irão participar das apresentações. A equipe de coordenação deve organizar um calendário de ensaio e também de momentos de adoração e, se possível, até mesmo um vigília de oração. Acima das técnicas teatrais está os joelhos no chão de cada um dos servos da apresentação.

Essas são algumas dicas para evangelizar através do teatro. Que cada um sirva com amor, dedicação e humildade. Tudo é do Senhor e para Ele. Somos apenas servos, que através do talento que Ele deu a cada um, tocamos o coração daqueles que precisam conhecer o Evangelho.




Rick Pinheiro
Coordenador da Pastoral da Juventude Arquidiocesana.
Arquidiocese de Maceió.

MEU JEJUM QUARESMAL.

Quando ouvimos falar em jejum pensamos logo em deixar de comer. Mas essa não é a única forma de jejum. Neste tempo de quaresma somos convidados a sacrificar algo que gostamos muito e que em muitos casos até nos prejudicam.

Alguns anos atrás eu era um chocólatra. Todos os dias, era sagrado, após o almoço, comer uma barra inteira de chocolate (Não falo de barra pequena, mas daquela grande de 180g). Na quarta-feira de cinzas daquele ano, na sua homilia, Monsenhor Pedro Teixeira, pároco da Paróquia do Divino Espírito Santo, onde eu servi por 15 anos, pregou sobre as diversas práticas de Jejum e da importância de fazemos para nos unirmos ao sacrifício de Cristo por nós. Tomei a decisão que meu jejum seria 40 dias sem chocolate. Confesso que foi difícil demais, pois já dependia do danado após o almoço, mas depois da quaresma, não era mais chocólatra e hoje como chocolate de vez em quando.

Este ano, estou realizando dois jejuns. O primeiro, de não comprar DVD de filmes. Para você pode ser algo bobo, mas quem me conhece pessoalmente sabe o quanto eu sou cinéfilo e consumista de DVD. O segundo é de não tomar Coca-Cola durante esse tempo quaresmal. Para minha admiração este último tem um monte de pessoas que está realizando. A Coca-cola com certeza teve uma pequena queda de vendas nessa quaresma.

Um grande amigo meu está fazendo o jejum de não tomar sua cervejinha. Outra conhecida está fazendo o “grande sacrifício” de não comprar roupas durante 40 dias. Você pode fazer o jejum da língua (não falar mal de alguém), o de não assistir televisão, o de não participar do rachinha, enfim, cada um sabe aquilo que gosta mais e que irá sacrificar nesses 40 dias.

Podem ser coisas bobas e sem importância para os outros, mas que fazem muita falta para você. Vale a pena como forma de retribuirmos o grande sacrifício de Jesus na cruz por cada um de nós.



Rick Pinheiro
Coordenador da Pastoral da Juventude Arquidiocesana.
Arquidiocese de Maceió.


CUIDADO COM AS CILADAS DO INIMIGO


Não é novidade para ninguém afirmar que o encardido, nome dado pelo saudoso Pe. Léo ao inimigo de Deus, vive nos tentando diariamente. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mas o tinhoso pega pesado conosco. As tentações geralmente vêm em embalagem agradável, seja na beleza de uma pessoa, ou numa inocente diversão ou até mesmo através de um programa de TV que é “apenas um jogo”.

Neste tempo de conversão e reaproximação de Deus é que o encardido pega todas as armas para nos desviar do caminho de encontro ao Pai. Como exemplo, usarei alguns fatos da quaresma deste ano (2009) para que o prezado leitor tire suas próprias conclusões.

Primeiramente, o fato de, em muitas cidades, existirem a chamada ressaca do carnaval. Sabemos que a partir da quarta-feira de cinzas entramos no tempo da Quaresma, tempo de espera da grande e maior festa que é a Páscoa. Evidente que a quaresma não é um tempo triste como muitos acreditam. Para mim a quaresma é como aquela jovem que namora um rapaz de outra cidade e fica sabendo o dia que eles irão se encontrar. Pelo que eu saiba, ela não vai esperá-lo triste, desanimada, nem muito menos deixar de se arrumar. Da mesma forma somos nós cristãos neste tempo de graça.

Voltando a falar das ressacas de carnaval e também de outras festas e shows seculares. O carnaval ocorre justamente nos quatro dias que antecedem a Quaresma. A festa em si, de origem cristã em virtude de anteceder a Quaresma, não é ruim, mas justamente os excessos que são cometidos. Quanto aos shows, assim como carnaval, há a venda e o consumo de bebidas. Digo com toda sinceridade que, de todos os shows que eu fui em minha vida (e olhe que não foram poucos, já que freqüento shows tanto seculares quanto religiosos desde dos meus 12 anos de idade, ou seja, alguns anos atrás. Rsssss...), os únicos shows que não vi a venda de bebidas alcoólicas foram os shows religiosos. E olhe que, um deles no Ginásio do Sesi aqui em Maceió, tinha um ambulante na porta vendendo latinhas de cerveja. Eis a questão: se a Quaresma é tempo de reconhecemos os nossos pecados e de mudarmos radicalmente de vida, por que então viver um vale a pena ver de novo?

Enfim, nessa época de Quaresma é recomendável que o jovem cristão não compareça a esses shows por mais que seja o encontro das “Melhores bandas de forró do Mundo”.
Outra arma do encardido é justamente criar situações onde as pessoas tenham um sentimento de ódio pela Igreja, Corpo Místico de Cristo. Não é novidade nenhuma essa perseguição violenta a Igreja já que os Atos dos Apóstolos nos relata várias. Mas a quaresma 2009 o encardido usou todo o seu arsenal.

Começamos com a violenta condenação e crucificação pela mídia e, infelizmente, por muitos nós católicos, ao Bispo de Olinda e Recife que simplesmente expôs o que a Igreja prega. Evidente que o estupro a uma criança de 9 anos é algo monstruoso, mas o aborto de dois inocentes é tão desumano quanto o próprio ato do estupro. Não sou especialista na área médica, por isso acredito nos vários médicos que afirmaram que neste o aborto não era a única solução, nem tão pouco a mais recomendável. O nosso Presidente da República por não entender nem da área médica, nem tão pouco de Igreja (perguntem a ele os 5 mandamentos da Igreja e quando foi a última vez que participou de uma Missa Dominical) perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Sobre esse assunto, em breve publicarei um artigo.
Voltando a falar nos ataques violentos a Igreja apenas na Quaresma 2009, semana passada tive o desprazer de assistir no Telejornal da Band da meia-noite, uma mulher, que se dizia católica, líder do movimento Mulheres Católicas a favor do aborto, dar um entrevista criticando violentamente a nossa Igreja. Sinceramente, com todo respeito à pessoa dela, mas ela e suas parceiras de Mulheres Católicas não têm nada.

Pensa que acabou os ataques? Têm muito mais: terça-feira passada vi algo que me indignou: um cartaz, sem autoria, com a seguinte frase: “Se o Papa engravidasse, o aborto seria sagrado”. Com certeza, quem perde seu tempo em elaborar um cartaz deste e ainda por cima é covarde suficiente para assinar, está a serviço a tempo integral ao encardido.

Por fim, o golpe final na nossa Igreja até a data que eu escrevo esse artigo: Ontem, num protesto na França manifestantes distribuíram camisinhas com a foto do Papa Bento XVI. Caro leitor, precisa de mais exemplos do ataque violento que nós estamos sofrendo nesta Quaresma?

Por fim, não deixaria de citar a arma que o encardido usa sempre para nos desviar de Cristo: a mídia. Além dos noticiários que todos os dias nos bombardeiam com notícias sensacionalistas contra nossa Igreja, existem os programas que desvirtuam os nossos valores cristãos. Tive o desprazer de parar alguns dias numa lanchonete e a televisão está ligada na Malhação. A semana toda só “despregando” o sexo antes do casamento. E o pior, percebi que os protagonistas destas cenas eram todos adolescentes. A mesma mídia que incentiva a relação sexual o mais cedo possível, é a mesma que noticiar como fato chocante para o mundo o caso do menino do Reino Unido que é pai aos 13 anos. Outro exemplo o Big Brother. Por trás de um jogo, está o veneno do encardido: ganância, luxúria, falsidade, ódio, rancor. O encardido, como um falso Grande Irmão nosso, vai nos envolvendo no jogo dele e logo, estamos, em pleno tempo da Quaresma, julgando o nosso próximo, tendo ódio por aquele BBB e até mesmo ligando para eliminar aquele que não se adapta ao jogo.

Por fim a tentação diária de cada um de nós. Como diz o ditado popular “Cada um sabe onde o calo aperta”. Não sei como o encardido está te atentando, a única certeza é que ele está pegando pesado com você, por que ele sabe o quanto cada um de nós é importante para Cristo. Eu, por exemplo, tenho sido tentado na minha paciência. Todo dia me deparo na minha frente com pessoas que tomam atitudes que eu simplesmente não suporto. Esses dias mesmo um irmão nosso afastado, daqueles crentes fanáticos vem invadindo a minha página de recados no orkut, metendo pau na Igreja, falando mal dos Santos e de Nossa Senhora. Não nego a você que já perdi a paciência e cheguei até ser agressivo com ele. Sou humano, reconheço meu erro. Mas como jovem cristão, não posso permanecer nele, mas lutar para ser aquilo que Jesus quer.

Esses foram apenas alguns exemplos de como o encardido vem armando ciladas para cada um de nós. Estamos no tempo de graça, tempo de conversão. Este é o grande momento de mudarmos radicalmente de vida. Chega de ficar em cima de muro! Chega de dizer “eu sou católico, mas... sou a favor do aborto, do sexo antes do casamento”, entre outros “mas” que colocamos na nossa caminhada.

O jovem cristão católico não é melhor que nenhum outro jovem, mas diferente. Neste tempo de graça faça a diferença. Viva intensamente o clima de preparação para a Páscoa do Senhor. E deixe que Ele seja o único Senhor da sua vida. Não tenha medo. Entregue sua vida nos braços de Jesus e no colo de Maria.

Rick Pinheiro
Coordenador da Pastoral da Juventude Arquidiocesana.
Arquidiocese de Maceió.

TEMPO DA QUARESMA


A Quaresma é um período de quarenta dias. Inicia-se na Quarta-feira de Cinzas, prolongando-se até a Quinta-feira Santa, antes da Missa na Ceia do Senhor. Trata-se de um tempo privilegiado de conversão, combate espiritual, jejum e escuta da Palavra de Deus. A característica fundamental e indispensável da Quaresma é a renúncia de alimentos e o jejum! O número de quarenta dias é importantíssimo, pois tem toda uma significação bíblica: a preparação para o encontro com Deus: os quarenta dias do Dilúvio, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, os quarenta anos de Israel no deserto, os quarenta dias do caminho de Elias até o Sinai e, sobretudo, os quarenta dias do Senhor Jesus no deserto, preparando sua vida pública. É digno de nota que o mesmo Jesus que entrou na penitência dos quarenta dias aparece transfigurado com dois outros penitentes: Moisés e Elias! Por isso mesmo, o cuidado da Igreja de reservar exatos quarenta dias para a penitência! É tão antigo que tem suas raízes na própria prática da Igreja apostólica.

Na Igreja Antiga este era o tempo no qual os catecúmenos (adultos que se preparavam para o Batismo) recebiam os últimos retoques em sua formação para a vida cristã. Assim, surgiu a Quaresma: tempo no qual os não batizados completam seu catecumenato pela oração a penitência e os ritos próprios, chamados escrutínios e os cristãos, já batizados, pela purificação e a oração, buscam renovar sua conversão batismal para celebrarem na alegria espiritual a Santa Vigília de Páscoa, na madrugada do Domingo da Ressurreição, renovando suas promessas batismais. Fica claro, portanto, que a finalidade da penitência e do combate quaresmais é conformar-se ao Cristo ressuscitado! A Quaresma tem, portanto, uma finalidade pascal!

As práticas da Quaresma

a oração - neste tempo os cristãos se dedicam mais à oração. Uma boa prática é rezar diariamente um salmo ou, para os mais generosos, rezar todo o saltério no decorrer dos quarenta dias. Pode-se, também, rezar a Via Sacra às sextas-feiras!

a penitência - todos os dias quaresmais (exceto os domingos!) são dias de penitência. Cada um deve escolher uma pequena prática penitencial para este tempo. Por exemplo: renunciar a um lanche diariamente, ou a uma sobremesa, não comer carne às quartas e sextas-feiras, etc... Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa os cristãos jejuam: o jejum nos faz recordar que somos frágeis e que a vida que temos é um dom de Deus, que deve ser vivida em união com ele. Os mais generosos podem jejuar todas as sextas-feiras da Quaresma. Farão muitíssimo bem!

a esmola - trata-se da caridade fraterna. Este tempo santo deve abrir nosso coração para os irmãos: esmola, capacidade de ajudar, visitar os doentes, aprender a escutar os outros, reconciliar-se com alguém de quem estamos afastados - eis algumas das coisas que se pode fazer neste sentido! “O que a oração pede, o jejum alcança e a esmola recebe. O jejum é a alma da oração, e a esmola é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las porque são inseparáveis. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a esmola” (São Pedro Crisólogo – século IV).

a meditação da Palavra de Deus - este é um tempo de escuta mais atenta da Palavra: o homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra saída da boca de Deus. Seria muitíssimo recomendável ler durante este tempo o Livro do Êxodo ou o Profeta Jeremias ou Oséias ou, ainda, um dos Evangelhos ou a Epístola aos Romanos.

a conversão -C“Eis o tempo da conversão!”, diz-nos São Paulo. Que cada um veja um vício, um ponto fraco, que o afasta de Cristo, e procure lutar, combatê-lo nesta Quaresma! Os antigos apontavam os sete vícios capitais: a soberba, a avareza, a acédia, a ira, a tristeza, a gula e a luxúria.


A liturgia da Quaresma

Este tempo sagrado é marcado por alguns sinais especiais nas celebrações da Igreja:

  • a cor da liturgia é o roxo - sinal de sobriedade, penitência e conversão;
  • não se canta o Glória nas missas (exceto nas solenidades, quando houver;)
  • não se canta o aleluia que, sinal de alegria e júbilo, somente será cantado outra vez na Páscoa da Ressurreição (isto vale mesmo para as festas e solenidades);
  • os cantos da missa devem ter uma melodia simples; um bom costume é que o Credo, o Santo, o Pai-nosso e o Cordeiro e as respostas da Oração Eucarística sejam recitados, não cantados;
  • não é permitido que se toque nenhum instrumento musical, a não ser para sustentar o canto, em sinal de jejum dos nossos ouvidos, que devem ser mais atentos à Palavra de Deus.
  • não é permitido usar flores nos altares, em sinal de despojamento e penitência (nos casamentos e outras festas as igrejas, devem ser enfeitadas com MUITA sobriedade!);
  • a partir da quinta semana da Quaresma podem-se cobrir de roxo ou branco as imagens, em sinal de jejum dos sentido, sobretudo dos olhos.

Cônego Henrique Soares da Costa.

Arquidiocese de Maceió.

Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (Centro de Maceió)

Disponível em: http://www.padrehenrique.com/artigos.htm#


A QUARESMA COMO COMBATE ESPIRITUAL.


1. “Exorto-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12, 1s).


“... em Jesus fostes ensinados a remover o vosso modo de vida anterior – o homem velho, que se corrompe ao sabor das concupiscências enganosas – e a renovar-vos pela transformação espiritual da vossa mente, e revestir-vos do Homem Novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade” (Ef 4,21-24).


A Quaresma tem um sentido eminentemente pascal: é um tempo de caminho de conversão a Cristo, período de cristificação. “Morremos com o Cristo; trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós. Já não vivemos, portanto, nossa própria vida, mas a vida de Cristo, vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes. Ressuscitamos com o Cristo; vivamos, pois, com ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra nosso calcanhar”. (Sto. Ambrósio, Tratado sobre a Fuga do Mundo)

2. Esta cristificação é ação do Espírito Santo: o homem não pode atingir tal escopo sem a graça do Santo Espírito, único que pode testemunhar Jesus em nós e conformar-nos a Cristo. Por isso mesmo, a busca da cristificação é um combate espiritual: combate porque é luta contra as tendências desencontradas do homem velho, que ainda persistem em nós; espiritual porque é combate na força do Espírito do Cristo: “Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda a mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo... Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado” (S. Basílio Magno, Tratado sobre o Espírito Santo).

3. A Quaresma é, pois, tempo do combate espiritual, tempo de uma ascese mais cuidadosa, ascese de caráter cristo-pneumatológico, tendo como fim a divinização (a vida de filhos do Pai). Sendo assim, esse tempo nada mais é que uma intensificação daquilo que é e deve ser toda a vida do cristão. São Bento, por exemplo, dizia a seus monges que a vida deles deveria ser uma contínua quaresma (= uma contínua preparação para a Páscoa).

4. Alguns elementos da ascese quaresmal:

I. O jejum (a penitência física):

Ø como meio de tomar consciência da dependência de Deus,
Ø como meio de domar nossas paixões,
Ø como meio de atingir a educação de nossos instintos,
Ø como modo de nos sensibilizar-nos para a fome alheia.



II. A oração:

Ø como modo de nos abrir para Deus e sua Presença,
Ø como meio de nos fazer sensíveis à sua Palavra,
Ø como modo de nos ajudar a compreender sua santa vontade,
Ø como meio de tudo avaliar com o coração de Deus,
Ø como modo privilegiado de fazer-se dócil à ação do Espírito.



III. A esmola:

Ø abre-nos para os outros,
Ø é sinal da própria comunhão trinitária,
Ø é remédio contra nossas concupiscências,
Ø nos descentra.



IV. As vigílias:

Ø para nos ajudar a vigiar pela vinda do Reino,
Ø para nos ajudar no combate à preguiça espiritual,
Ø para nos fazer intercessores pelo mundo que dorme,
Ø para nos ajudar no autodomínio.



V. A gravidade (o silêncio, a mortificação da curiosidade e dos excessos):

Ø para nos concentrar no único necessário,
Ø para nos colocar na presença de Deus,
Ø para nos ajudar no amadurecimento espiritual.



5. Sugestões para leitura:

Liturgia das Horas: Sermão de S. Leão Magno (5a. feira depois das cinzas)
Liturgia das Horas: Discurso de S. Pedro Crisólogo (3a. feira da III semana da quaresma)
Lc 21,34-36



Cônego Henrique Soares da Costa.
Arquidiocese de Maceió.
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (Centro de Maceió)


Disponível em: http://www.padrehenrique.com/artigos.htm#

O JEJUM QUARESMAL


Uma das características do tempo da quaresma, é a penitência, sobretudo no comer e no beber. Tal penitência pode consistir numa simples abstinência, que é renúncia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refeições de modo total ou parcial. É muito importante a prática de tal forma de penitência. Aliás, eram o jejum e a abstinência que, na Igreja Antiga, davam uma fisionomia própria ao tempo quaresmal.

Mas, por que jejuar? Por que se abster de alimentos? É necessário compreender o sentido profundo que o cristianismo dá a essas práticas, para não ficarmos numa atitude superficial, às vezes até folclórica ou, por ignorância pura e simples, desprezarmos algo tão belo e precioso no caminho espiritual do cristão.

O jejum e a abstinência têm quatro sentidos muito específicos e claros:
(1) O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes, nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente. A prática do jejum, impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: “A vida é minha; faço como eu quero!” A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da auto-suficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu.

(2) O alimento é uma de nossas necessidades básicas, um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A abstenção do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa força de vontade, aguçando nossa capacidade de vigilância, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tendência é ir atrás de nossos instintos, de nossas tendências, de nossa vontade desequilibrada. Aliás, essa é a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: “não vou me reprimir; não vou me frustrar”, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e às paixões mais contrárias ao Evangelho e ao amor pelo próximo. O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!

(3) O jejum tem também a função de nos unir a Cristo, no seu período de quarenta dias no deserto. Quaresma de Cristo, quaresma do cristão. Faz-nos, assim, participantes da paixão do Senhor, completando em nós o que faltou à cruz de Jesus. O cristão jejua por amor a Cristo e para unir-se a ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. É uma união com o Senhor que não envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas também o corpo. É o homem todo, a pessoa na sua totalidade que se une ao Cristo. Nunca é demais recordar que o cristianismo não é uma religião simplesmente da alma, mas atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, também o corpo reza, também o corpo luta para colocar-se no âmbito da vida nova de Cristo Jesus. Também o corpo necessita, como o coração, ser esvaziado do vinagre dos vícios para ser preenchido pelo mel, que é o Espírito Santo de Jesus.

(4) Finalmente, o jejum e a abstinência, fazem-nos recordar aqueles que passam privação, sobretudo a fome, abrindo-nos para os irmãos necessitados. Há tantos que, à força, pela gritante injustiça social em nosso País, jejuam e se abstêm todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, tão concreta, tão real, tão dolorosa! Por isso mesmo, na tradição mística e ascética da Igreja, o jejum e a abstinência devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo, já não é mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. É por isso que os pobres, ainda hoje, nos dias de jejum, pedem nas portas o “meu jejum”. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irmãos. Neste ponto, é enorme a insistência seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros séculos do cristianismo).

Resta-nos, agora, passar da teoria à prática. Seja nossa quaresma rica do jejum e da abstinência, enriquecidos com o bem da caridade fraterna, da esmola, que se efetiva na atenção e preocupação ativa e concreta pelos pobres de todas as pobrezas.


Cônego Henrique Soares da Costa
Arquidiocese de Maceió
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (Centro de Maceió).


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EU VI O FILME


Assisti ao polêmico filme do Mel Gibson, sobre a Paixão de Cristo. É difícil formar uma opinião sobre ele, dada a multiplicidade de aspectos sob o qual se pode analisá-lo.



Vi, de positivo, várias coisas. A língua usada não é o inglês, mas os personagens falam aramaico, latim e grego. É impressionante escutar Jesus falando aramaico, a língua que usou realmente no seu dia-a-dia, exclamando Abbá e Adonai na oração! Também positiva é a pretensão de Gibson de mostrar que Jesus morreu pelos pecados do mundo; desde o início ele cita o profeta Isaías: “Ele tomou sobre si as nossas dores e carregou-se com os nossos pecados...” (Is 53,4). O filme não tem nada de anti-semita e não pretende jogar culpa alguma especial sobre os judeus. Afirmar que há ali algo contra os israelitas é paranóia pós-holocausto! Só dois exemplos para mostrar isso: é um judeu, chamado de “judeu” no filme, Simão Cirineu, quem defende Jesus das atrocidades dos soldados romanos. Além do mais, a horripilante sessão de tortura a que Jesus é submetido, não lhe é infligida pelos judeus, mas pelos soldados de Roma. Positiva ainda é a apresentação da Eucaristia como verdadeiro sacrifício de Cristo, bem como o realce que se dá à figura da Virgem Maria. Há duas cenas muito tocantes: a primeira, quando Jesus, ainda criança, cai e a Virgem o ampara; a outra, ele, já adulto, em casa, conversando informalmente com a Mãe, chega a brincar com ela, molhando-a com um resto d’água. Portanto, um Jesus brincalhão e sorridente, um Jesus humano! A música e, sobretudo, a fotografia do filme são soberbas, muito belas.

Há também aspectos que não me agradaram muito. Não gostei de o autor ter tomado simplesmente a paixão e morte de Jesus – o filme começa com a agonia no Jardim das Oliveiras. Seu sofrimento somente pode ser compreendido à luz do que ele fez e ensinou durante toda a sua vida. Também é falho o modo como a ressurreição é apresentada: ocupa um espaço muito pequeno, quase como se não tivesse importância. No entanto, os cristãos sabem que sem a ressurreição não haveria salvação para a humanidade! Vendo o filme, parece que o centro do mistério de Cristo é o seu sofrimento e a sua morte, o que não é verdade! Mel Gibson exagera muito na violência. Certamente, a paixão do Senhor não foi um passeio nem um faz-de-conta. Mas, o autor dá asas à imaginação... Há um excesso de apelo à violência, sim! Há também uma valorização indevida do sangue de Jesus. Numa cena, a Virgem, acompanhada de uma outra mulher, recolhe, com panos, o sangue derramado na flagelação. É preciso compreender que, na Escritura, o sangue derramado simboliza a vida dada. Quando dizemos que o sangue de Cristo nos salva queremos dizer que sua vida, entregue ao Pai por nós com amor até a morte, é causa da nossa salvação. O sangue material, orgânico, de Jesus, não é uma porção mágica com efeito salvador! Também não foi positivo o apelo a certos recursos para mostrar a presença do Maligno. Por exemplo: o mau ladrão tem o globo ocular carcomido por um pássaro negro e Judas suicida-se junto a um asno em estado de putrefação. São imagens para mostrar a presença do mal e da morte no pecado... Mas são chocantes e de mau gosto, grotescas mesmo.

Bom, tudo somado, é interessante ver o filme. Ele recorda sempre que a cruz do Senhor não foi uma brincadeira nem o seu amor por nós, uma idéia vaga. Como diz São Pedro, nós fomos resgatados por um preço alto: a vida entregue do Filho de Deus (cf. 1Pd 1,18s). O filme nos convida a levar a sério o Cristo que se entregou por nós e morrer com ele para o pecado. Ninguém deveria ficar indiferente diante de um Amor que nos amou assim...

Mas, uma coisa que me impressionou mesmo foi ver uma certa frieza e indiferença da platéia: atrás de minha poltrona, um casal conversou o filme todo, indiferente ao que se passava na tela. Na poltrona da frente, uma jovenzinha passou toda a exibição ajeitando o cabelo, atrapalhando, com seus cotovelos elevados, as pessoas que estavam atrás. Ao lado, um pouco mais adiante, um rapaz, sentado como na casa da sogra, falava tranqüilamente ao celular. Conclui duas coisas, certamente de graus de gravidade diversos: uma menos grave: nosso povo ainda não tem educação nem para ir a um cinema; e outra, muito, muito desconcertante: estamos ficando tão paganizados, estamos perdendo de tal modo a noção das coisas da fé, que assistir à Paixão do Cristo é tão indiferente quanto assistir a mais um dos filmes de violência da televisão e do cinema! Recordei-me, então, de como se vivia a Sexta-feira Santa há trinta anos atrás... Vendo como hoje a Semana Santa é tempo de praia, como as agências de turismo fazem pacotes pagãos de “Semana Santa”, como as rádios e televisões exibem programação totalmente pagã, desconhecendo o mistério da morte do Senhor, saí com esta triste impressão: para o homem de hoje, parece que, na verdade, pouco importa Jesus; cada um que cuide de sua vida! Quanto a esse Jesus de Nazaré, para muitos, muitos mesmo, não passa de um personagem do baú da história... Que pena. De fininho, sem drama nem alarde, matamos Jesus na nossa vida!

Cônego Henrique Soares da Costa
Arquidiocese de Maceió.
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (Centro de Maceió).

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