quarta-feira, 18 de março de 2009

A QUINTA-FEIRA SANTA



A Quinta-feira Santa

A Missa do Crisma


Neste dia, pela manhã, na Catedral de cada diocese, o Bispo com seu Presbitério, e com a presença dos diáconos e de todo o Povo de Deus, celebram a Missa do Crisma. Antes de celebrar ao Tríduo Pascal, memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, a Igreja fixa seu olhar naquele que é o Sumo e Eterno Sacerdote, aquele que exercerá ao máximo o seu sacerdócio ao entregar-se por nós até a morte e morte de cruz.
A Igreja local se reúne como povo sacerdotal ao redor do Bispo, sucessor dos apóstolos e dos presbíteros, seus colaboradores. É a verdadeira festa do sacerdócio ministerial – daqueles que, recebendo a unção do Cristo (ungido), no interior do povo dos batizados, povo todo sacerdotal, agem na pessoa de Cristo cabeça da Igreja. Neste dia, os sacerdotes renovam suas promessas sacerdotais diante do Bispo.
Ainda durante a Celebração, são abençoados os óleos dos catecúmenos (usado nos batizados) e dos enfermos (usado na Unção dos Enfermos) e é consagrado o santo Crisma, mistura de óleo e perfume, símbolo da força do Espírito Santo, Dom do Cristo morto e ressuscitado à sua Igreja. Este óleo é usado na cabeça dos recém-batizados, na fronte dos crismados, nas palmas das mãos dos neo-sacerdotes, é derramado sobre a cabeça dos novos Bispos. Com esse óleo são ungidos o Altar e as colunas nas novas igrejas.
A beleza da Missa do Crisma é a experiência da Igreja diocesana toda reunida em nome de Cristo, o Ungido de Deus. Ela é o Corpo do Senhor e, como tal, se prepara para celebrar o Tríduo Pascal. Poder-se-ia perguntar por que esta Missa não se dá após o Dia de Páscoa, já que os santos óleos são expressão do Dom do Espírito, fruto do mistério pascal. É porque com esses óleos já serão ungidos aqueles que serão batizados e crismados na Vigília Pascal.

A Missa Da Ceia do Senhor

a. O sentido


Com esta Missa, inicia-se o Tríduo Pascal. O Tríduo é composto, naturalmente, por três dias, cada um com um sentido bem definido:
Primeiro dia: Sexta-feira: Ele se entregou até a morte na Ceia e na Cruz; Segundo dia: Sábado: Ele desceu à mansão dos mortos;Terceiro dia: Ele ressuscitou, venceu a Morte!
Note-se que, como para os judeus, o dia começa não à meia-noite, mas ao entardecer, a Missa na Ceia do Senhor já faz parte do primeiro dia do Tríduo Sagrado: a Quinta-feira Santa à tarde e a Sexta foram como que um só dia, o primeiro.
A Missa na Ceia do Senhor deve ter um espírito de solenidade contida e sóbria. O Cristo que se entregou na cruz na Sexta-feira, quis deixar essa entrega para sempre no coração da Igreja. Por isso, ritualizou seu sacrifício na Ceia Pascal dos judeus. Na celebração dos judeus, ele celebrou a sua Páscoa. Como no Antigo Testamento, Deus ordenou que o povo ritualizasse na ceia do cordeiro pascal, dos pães ázimos e das ervas amargas, a Páscoa que o tirava para sempre do Egito, do mesmo modo, Jesus ordenou que a Igreja ritualizasse para sempre na Ceia pascal eucarística seu Sacrifício pascal.
“Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer!” (Lc 22,15). Estas palavras se dirigem a cada geração de cristãos e são cumpridas cada vez que celebramos a Eucaristia, mas de modo particular, uma vez por ano, nas solenidades pascais. A Última Ceia é dramática: ao lavar, como um servo, os pés de seus discípulos (“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos” – Mc 10,45), Jesus está se comprometendo a servi-los até a morte. Do mesmo modo, ao se dar no pão e no vinho, está, de antemão, garantindo, como penhor, que, no dia seguinte, não fugirá, mas livremente vai se entregar no seu corpo (quer dizer, em toda a sua natureza humana, com seus sonhos, projetos, alegrias e tristezas) e no seu sangue (ou seja, na sua morte violenta, dada pela vida dos seus e do mundo inteiro).
A liturgia desta Missa é riquíssima. A começar pelas leituras: Ex 12,1-8.1-14, com a instituição do rito pascal dos judeus, tipo e prefiguração da páscoa cristã e do Cordeiro verdadeiro, que é Jesus imolado. O Sl 115, que é uma ação de graças pelo fiel que tem certeza que o Senhor o livrará da morte e, por isso, já louva a Deus; como Cristo que, naquela Ceia já tem certeza que o Pai não o abandonará... 1Cor 11,23-26, que é a mais antiga narrativa da Última Ceia e da instituição da Eucaristia. Jo 13,1-15, de uma solenidade de tirar o fôlego, explicando que chegou a Hora de Jesus fazer sua Páscoa, sua Passagem deste mundo para o Pai. Neste texto se narra o lava-pés. A homilia dessa Missa deve recordar três coisas: (1) o Mandamento do Amor: o novo Mandamento, mandamento do amor. No Antigo Testamento, o maior mandamento era: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração... Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,28-34). Este Mandamento serve para os judeus, não para os cristãos! Agora, no final de sua vida, o Senhor dá aos seus discípulos um Novo Mandamento, inesperado e humanamente impossível: “Amar como eu amei!” Agora, ele mesmo é a medida e o modelo do amor a Deus e aos outros! Este é o único Mandamento do cristianismo: um amor capaz de dar-se até a cruz! Este Mandamento é simbolizado pelo rito do lava-pés. (2) O Sacramento do Amor: para que tenhamos a força de amar como Jesus, ele nos deixou a Eucaristia, alimento de vida eterna. Este é o segundo aspecto a ser recordado: o Senhor hoje instituiu a Eucaristia, sacramento vivo da sua entrega amorosa por nós e pelo mundo inteiro: unidos a ele e por ele fortificados, teremos a força de ir amando como ele. Finalmente, (3) o sacerdócio ministerial, instituído para ser presença do Cristo que preside à sua Igreja e à Eucaristia, ele que veio para servir e dar a vida. O sacerdócio instituído neste dia de entrega amorosa, não é um poder, mas um serviço aos irmãos, até dar a vida.

b. Anotações litúrgicas


(1) A cor desta Missa é o branco. A igreja deve estar discretamente ornamentada com flores, o altar coberto com uma bela toalha branca.
(2) O sacrário deve estar vazio e aberto. As hóstias devem ter sido consumidas até a quarta-feira, reservando-se algumas para a comunhão dos enfermos. Elas devem ser colocadas num lugar seguro e digno, fora da igreja. Até o Dia da Páscoa não se devem comungar as hóstias antigas!
(3) Deve-se preparar ao lado do corpo da igreja ou mesmo fora, em local bem próximo, o Altar da Reposição, isto é, um local digno e bem ornamento com flores e velas para se colocar a Reserva eucarística dessa Missa da Ceia.
(4) É muito aconselhável que, na Procissão de entrada, logo aos a cruz, entrem os Santos Óleos, consagrados na Missa do Crisma. Eles devem ficar sobre o Altar, de modo belo e discreto, ou sobre uma mesinha preparada no Presbitério.
(5) Todos os cânticos devem ser próprios para esta Missa. Usa-se incenso e Evangeliário normalmente. Ao canto do Glória, tocam-se o sino e a capainha. Depois disso, somente se pode tocar a matraca.
(6) Após a homilia, faz-se o lava-pés, com doze membros da comunidade, de preferência, mas não necessariamente, do sexo masculino. Lava-se o pé direito de cada um. Pode-se também beijar, após lavar. Para o lava-pés, o celebrante deve retirar a casula e colocar um gremial (espécie de avental) sobre a alva e a estola.
(7) Caso use a Oração Eucarística I – que é a ideal para ser usada -, o celebrante deve estar atento que há várias partes próprias para esta Missa, inclusive a narrativa da Consagração!
(8) Deve-se cuidar para que as hóstias sejam suficientes para esta Missa e para a Celebração da Sexta-feira Santa. Ao final da Comunhão, todas as hóstias consagradas devem ser colocadas numa única âmbula grande, que fica sobre o Altar, sobre o corporal, coberta com um canopeu (o véu).
(9) O Celebrante faz, então, a Oração após a comunhão. Depois, de joelhos, incensa as hóstias consagradas que estão sobre o Altar. Em seguida, coloca sobre a casula o véu umeral. Pode também retirar a casula, colocar o pluvial branco e, sobre ele, o véu umeral. Ele deve tomar a âmbula e cobri-la com o véu umeral. Nunca, em hipótese alguma, por motivo nenhum, pode-se colocar uma hóstia no ostensório e sair com ela em procissão! Não é procissão de Corpus Christi!
(10) A procissão terá a seguinte ordem: cruz e velas na frente, os acólitos, cada um com uma vela acesa, o que leva a matraca, tocando-a e, logo adiante do Santíssimo, um ou dois acólitos com o turíbulo fumegando. Depois, o padre com o Santíssimo coberto pelo véu umeral.
(11) O ideal é que o padre vá debaixo de uma umbrela (aquela pequena “sombrinha”). A procissão dirige-se solenemente para o Altar da Reposição. Se o Altar estiver dentro da igreja, o povo permanece no seu lugar, ajoelhando-se quando o Santíssimo passar. Se o altar for fora, o povo pode acompanhar calmamente. O canto para a procissão é o previsto no missal.
(12) Chegando ao Altar, o celebrante coloca a âmbula no sacrário preparado, incensa o Santíssimo, reza um pouco em silêncio, fecha-o e todos, em silêncio, voltam para a sacristia pelo caminho mais curto. Não há bênção final, não há despedida, não há nada!
(13) Em momento nenhum se deve dizer “graças e louvores...” A procissão é simples, solene e ao mesmo tempo, grave. Repito: nunca se deve usar uma custódia! Esta procissão tem um motivo prático: conservar as hóstias para a comunhão do dia seguinte.
(14) A Comunidade deve fazer uma adoração solene até meia-noite; nunca depois disso! Após a meia-noite, a adoração só pode ser individual e silenciosa. Esta adoração não tem o sentido de fazer companhia a Jesus que está em agonia! Jesus está ali morto e ressuscitado, na Eucaristia. Também não se deve chamar o Altar de Reposição de “Horto”! O sentido da adoração é a gratidão a Jesus pela Eucaristia e pela sua vida entregue pelos seus. Só isso!
(15) Terminado o rito, as todas as cruzes da igreja são retiradas ou cobertas de branco, roxo ou vermelho. Todas as flores são retiradas, os altares são totalmente descobertos e despojados e as pias de água benta são esvaziadas totalmente. A Igreja entra num solene e profundo silêncio.
(16) A partir daqui, nenhum sacramento pode ser celebrado, a não ser a Reconciliação. A comunhão somente pode ser dada aos enfermos e mais a ninguém!

Cônego Henrique Soares.

Arquidiocese de Maceió.

Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento (Centro de Maceió)

Disponível em: http://www.padrehenrique.com/geral.htm#


A SEXTA-FEIRA SANTA


A Sexta-feira Santa

a. Sentido

Hoje, a Igreja mantém-se em profundo silêncio. O Esposo foi retirado. Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia. O Altar, despojado após a Missa da Ceia do Senhor, é sinal desse jejum eucarístico.
Pelas 15h, os cristãos se reúnem para uma solene celebração: a Celebração da Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: (1) uma Liturgia da Palavra, (2) a Adoração da Cruz e (3) a Comunhão eucarística.
A Liturgia da Palavra ilumina o mistério da cruz do Senhor. Olhada somente com os olhos da razão, a cruz não tem sentido; ela é a maior prova de que Deus não existe e, se existisse, seria inútil, cruel, indiferente à dor humana! A cruz, à luz do nosso entendimento, é sinal de que não vale a pena ser bom, não adianta lutar por um mundo melhor, porque o mal triunfa! Mas, quando escutamos a Palavra do Senhor, o mistério da cruz aparece como luz, como sabedoria admirável de Deus! É isto que as leituras nos revelam: a Primeira, é o quarto cântico do Servo Sofredor; tão impressionante que o chamam de Paixão segundo Isaías. Aí, o Servo humilhado e destruído para salvar a humanidade, triunfará e será salvação da multidão. O Salmo 30 é uma impressionante oração que revela os sentimentos de Jesus na sua dor. É neste Salmo que se encontra a última palavra de Jesus: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito”. A Segunda Leitura é da Epístola aos Hebreus. Ela apresenta Jesus como nosso Sumo Sacerdote que, pelo seu sacrifício, entrou no Santuário verdadeiro: o céu. Entrou, não com sangue de animais irracionais, mas com o seu próprio sangue, sinal de um amor que se doa totalmente e, por isso, nos purifica. Finalmente, a impressionante narrativa da Paixão segundo São João. A Liturgia da Palavra é concluída com a solene Oração Universal, na qual a Igreja, unida ao seu Senhor, intercede por toda a humanidade.
A Adoração da Cruz exprime a profunda reverência e admiração da Igreja pelo mistério da Paixão e Morte do Senhor. Não se trata de adorar o lenho materialmente, mas o que ele significa.
Finalmente, a Comunhão eucarística. Apesar de não haver Missa, comungar no Corpo do Senhor morto e ressuscitado, revela bem o quanto Cristo vive para sempre.

b. Anotações litúrgicas

1. Recordemos a situação da igreja: cruzes retiradas ou veladas, altar totalmente descoberto, nenhuma flor, pia de água benta vazia. Não se toca os sinos nem campas; sempre a matraca.
2. Nenhum sacramento pode ser celebrado, a não ser a Penitência e Unção em caso de real perigo de vida. Nenhuma missa, por motivo algum, pode ser celebrada.
3. Fora da celebração, a comunhão somente pode ser dada aos doentes.
4. Não se pode fazer nenhuma adoração solene ao Santíssimo. Quem o adorar, fá-lo em silêncio e individualmente.
5. Pelas 15h começa-se a Celebração: paramentos vermelhos, sinal do sangue, do amor, e do Espírito Santo, que sustentou a entrega do Cristo.
6. Não se devme fazer comentários, a não ser o estritamente necessário... Se é que há necessidade...
7. Os celebrantes entram em total silêncio e se prostram. Todos se ajoelham, adorando o mistério da Paixão e Morte do Senhor. A prostração é o mais profundo modo litúrgico de reverência...
8. Sem “oremos”, de modo seco e direto, o padre faz a oração e conclui de modo abreviado: “Por Cristo, nosso Senhor”.
9. Atenção para não se mudar a letra do Salmo 30. Ele deve ser rezado na íntegra!
10. O quanto possível, não se deve tocar nenhum instrumento musical, a não ser para dar o tom. Se houver necessidade de tocar, que seja somente para sustentar o cântico e de modo extremamente discreto.
11. A Paixão pode ser proclamada por mais de uma pessoa. Nunca, sob pretexto algum, pode haver dramatização! É pura e simples aberração litúrgica, totalmente contrária ao espírito da Liturgia.
12. Quem inicia: “Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo...” não é o Padre, mas o narrador. Também é ele quem diz: “Palavra da Salvação”. Mas, sem beijar o Livro.
13. A homilia deve ser não muito longa.
14. Para a Oração universal, o diácono, um cantor ou o próprio Celebrante propõe, cantado, as intenções. Depois, pode convidar o povo a ajoelhar-se e levantar-se. Finalmente, o Celebrante faz a oração, com uma melodia quase em tom reto.
15. Para a Oração, o celebrante pode retirar a casula e colocar o pluvial vermelho.
16. Para a adoração da cruz, além dos dois modos apresentados no Missal, é costume na nossa Arquidiocese, conjugar os dois modos: o celebrante ou um diácono, de casula ou dalmática – ou ainda de pluvial – entra com a cruz velada e, três vezes, nave a dentro da igreja, vai descobrindo a cruz coberta de vermelho e cantando: “Eis o lenho da cruz”. O povo se ajoelha cada vez e responde.
17. A cruz deve ser colocada num local de destaque no Presbitério. O celebrante e os acólitos fazem-lhe três genuflexões e a beijam-na. É recomendável que, ao fazê-lo, retirem os sapatos, em sinal de humildade e penitência.
18. Quanto ao povo, se for muito numeroso, não deve beijar a cruz. Basta apresentá-la, enquanto se canta. Nunca, de modo algum e por motivo algum, pode-se usar mais de uma cruz!
19. A partir desse momento, se faz genuflexão para esta cruz – só para esta – como para o Santíssimo. Isso vai até às Vésperas do Sábado Santo.
20. Depois, para a Comunhão, cobre-se o Altar e colocam-se duas velas, o corporal e o missal. O celebrante ou o diácono, com o véu umeral e ladeado por dois acólitos com velas (mas sem umbrela, matraca e tudo o mais) traz o Santíssimo. Se ele estiver um pouco distante, um ministro da comunhão pode trazê-lo, mas sem véu umeral!
21. Depois da comunhão, o Santíssimo é recolhido não no sacrário, não no Altar da Reposição, mas num lugar fechado (por exemplo: o gabinete do padre ou uma outra sala fechada).
22. O padre faz, então, uma oração sobre o povo e, sem bênção, o despede.
23. Logo depois, o Altar é, novamente descoberto.
24. A partir de então, nem aos doentes é permitido mais levar-se a comunhão. A não ser em viático, isto é, para os que estão realmente agonizando.
Cônego Henrique Soares.
Arquidiocese de Maceió.
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento.

O SÁBADO SANTO


O Sábado Santo

a. Sentido

Hoje é o segundo dia do Tríduo Pascal. O Senhor Jesus que se entregou até a morte na Ceia de modo ritual e entregou-se na cruz de modo histórico-existencial, agora encontra-se na morte, no reino do nada, do não-ser, da impotência: “desceu à mansão dos mortos” – professa a Igreja todos os domingos.
Este é o ponto mais baixo do Tríduo! O Sábado Santo, também chamado de Grande Sábado, é díade profundo silêncio. O Senhor Jesus desceu ao mais baixo, à região dos sem-vida, dos sem-Deus, da humanidade na sua última miséria: Jesus experimentou realmente o derrota terrível da morte, morte ligada ao pecado – Ele, que não tem pecado – morte como distanciamento do Deus da Vida.
Hoje é dia manter-se em silêncio, em oração. Devemos pensar no sentido de nossa vida, na nossa morte, unida à morte de Cristo como caminho para a Ressurreição. Hoje também devemos dirigir nosso afeto à Virgem Maria, que, em tremenda solidão, esperou firmemente a vitória do Cristo. Com Maria Virgem, no dia de hoje, a Igreja espera!

b. Anotações litúrgicas

1. Neste Sábado Santo não se pode celebrar nenhum sacramento, a não ser a Reconciliação.
2. Ninguém pode comungar. Não se pode levar a comunhão nem aos enfermos. Somente em real perigo de morte iminente é que se pode levar a comunhão, mas no modo de viático – só o sacerdote pode fazê-lo!
3. Neste Dia não há nenhuma celebração. A igreja permanece sem flores, com o altar desnudo, com a pia de água benta vazia, com a cruz da adoração da Sexta-feira Santa visível no presbitério. Quem passar diante dessa cruz, faz genuflexão. Isso vale até o fim da tarde – após as Vésperas.
4. No caso de exéquias, não se pode celebrar a Missa de corpo presente, mas somente fazer a encomendação.
5. Os cristãos cuidem de não se ocuparem com nada que os dissipem ou distraiam da união com o Senhor morto e sepultado.
6. Não se pode adorar o Santíssimo. As hóstias que sobraram da Sexta-feira Santa devem estar guardadas num lugar isolado: não no Sacrário, não no Altar da Reposição. Devem ser consumidas somente depois da Oitava da Páscoa.
7. A partir da tarde, deve-se começar a ornamentar a igreja para a Vigília Pascal...
Cônego Henrique Soares
Arquidiocese de Maceió
Reitor da Igreja Nossa Senhora do Livramento.

domingo, 18 de janeiro de 2009

FILME RATATOUILLE PROVOCA NOVA ORDEM PARA PROJETOS DE VIDA.


Filme Ratatouille provoca nova ordem para projetos de vida
Como imaginar um rato cozinheiro? É pensar o impossível. É subverter a ordem natural por outra lógica. A arte do cinema de animação possibilita a viagem e o encontro não de um cozinheiro comum, mas alguém que vê nos ingredientes da comida um caminho para revelar os segredos que o sabor provoca em todo nosso corpo: o prazer.

Os humanos têm coisas fantásticas, afirmou o rato. Eles não vivem somente para comer. Não são como os ratos. Têm outras possibilidades para ser mais. A criatividade e a imaginação fazem a diferença. As possibilidades dadas pela capacidade de criar não limitam o caminho percorrido. Assim como as descobertas, desde as mais corriqueiras, como o modo de andar (com cuidado para não alterar o sabor), de escrever e contar histórias, sejam elas receitas de comida, que levam a abrir horizonte e perceber o mundo e as possibilidades de ser mais e se encantar com o novo.

O rato é levado pela sua imaginação a ir para o alto. Com fome, perdido, longe da família; ou seja, sem nenhuma condição possível, ele subverte todos os desejos imediatos para buscar outro que o leva a ampliar seu olhar. E descobre que, do lugar onde está, é possível ver toda “Paris” – ele exclama – eu vivi todo tempo debaixo daqui! Com isto, ele contempla aquela nova realidade e amplia seus horizontes. Essa é a consciência de estar no mundo como parte dele, perceber-se parte de um planeta, com a possibilidade de influir nesta realidade.

Essa contemplação o faz ver seus sonhos com novo olhar. Não teme nenhuma aventura, corre de um lado para outro, se joga na busca de seus objetivos, correndo todos os riscos com determinação e coragem. Nada é dificuldade para tornar o seu sonho uma realidade. Essa novidade é carregada de respostas novas. Coisas até então, impensadas, que ele vai vivendo, o obriga a criar e inventar meios de lidar com essa ordem que começa a se instaurar pelas suas descobertas e pelos encontros que vai travando no seu caminho. Um caminho marcado por várias escolhas e encantamentos.

Entre as decisões está o encontro com sua família nesta nova condição. Ele enfrenta o pai, chefe do clã, que tem a tarefa de transmitir aos/às filhos/as o modo de vida dos ratos. Afirma que tem outros caminhos a percorrer e que suas escolhas não afetam o amor pela família; porém, ele precisa sair deste espaço para construir outros em que ele se perceba e se realize. O diálogo é carregado de ameaças para fazer o/a jovem rato voltar para uma vida comum. Contudo, o rato que lê receitas, de repente passa ler outras situações mais amplas, como as estruturas que organizam o restaurante. Ele questiona aquele que se diz proprietário dos bens e das idéias que faz mover o funcionamento do mesmo.

O rato lê receitas e não as repete. Ele recria porque crê, na sua intuição, que os encontros dos sabores faz surgir algo novo. Vai além: no jovem desajeitado, filho bastardo de um amor que não se oficializou, entre o patrão e a empregada, há uma possibilidade não organizada. Este jovem não seguirá o caminho do patrão, do pai, porque sua sensibilidade é outra, porém é herdeiro. O rato acredita no jovem. Diante do jovem curioso e desajeitado que inicia pela sopa, ele percebe que pode salvar a sua iniciativa, dá um toque especial, transformando a sopa em algo novo e inusitado, despertando novos sabores e exigindo passar de novo pelo mesmo lugar, repetindo a sopa. E para isto o jovem precisa do rato cozinheiro. Aí começa a aventura entre os dois.
No início, seu acompanhamento é confuso (mordidas e manipulações) para que o jovem reproduza suas idéias. Por causa dos conhecimentos repetidos do rato, o jovem recebe reconhecimento, faz novas conquistas; porém, carrega o drama da repetição que não o realiza, enfrenta todas as desconfianças com vigilância constante daquele que controla a ordem. O rato, também provoca e desperta o jovem para outros encontros com novas descobertas. No entanto, diante do conflito, no momento que exige sua participação decisiva, o jovem coloca seus dons com habilidade a serviço da causa, de uma nova ordem estabelecida.

O movimento de percepção do rato o faz ler outras situações mais amplas, como as estruturas que organizam o restaurante. O controlador da ordem vigente é impostor, que não respeita os sabores, segue as receitas, nada entende de encontro dos sabores, planeja lucro e somente esse resultado, nada além disto. Essa leitura faz o rato enfrentar a estrutura criada pelo que ocupa a ordem vigente, com seus meios de produção indevidos, e ele luta pelos direitos da outra pessoa, herdeira desta nova ordem, filho jovem de uma trabalhadora. O rato, com esta informação,corre atrás para torná-la conhecida e a comunica de tal modo que o herdeiro assume a tarefa de organizar o restaurante.

Ele enfrenta também as idéias oficiais, ou seja, os críticos às mudanças, que estão sempre de plantão, classificando, no sistema e estabelecendo uma visão de mundo sobre o fato. Estes críticos têm o poder de criar opiniões e todas as pessoas crêem no que eles dizem a ponto de intervir na produção, dando possibilidade de continuar ou não no circuito, por causa de convenções.
Ao romper com as receitas prontas, encontrando o sabor dos temperos, a ponto de fazer o milagre da memória, que provoca a experiência mais fundante da vida, do amor, da acolhida, do estar junto, do olhar para o/a outro/a e retomar a experiência que o reconstitua como pessoa. Essa experiência é capaz de abrir outras possibilidades, crer no que antes era improvável. Retomar as teorias, experimentar novos sabores. Melhor, abre-se ao conhecimento a ponto de deixar surpreender-se pelo desejo de saborear algo novo.

É notório que a nova ordem, analisada pelos fiscais de plantão, não pode se estabelecer no mesmo lugar. É preciso criar também novos espaços, onde essa nova ordem possa se estabelecer e gerar outros encontros, inclusive com mais dignidades para aqueles/as que estavam excluídos, no lixo, e que agora estão tendo a possibilidade de experimentar o prazer da dignidade e do reconhecimento.

Nossa história também é marcada por vários momentos que exigem decisão e nem sempre elas são marcadas por acertos. Nos acompanhamentos que fazemos aos/às jovens, no início são desajeitados/as para as buscas e depois, quando encontram o sentido da vida, da causa, revelam suas habilidades. Assim como subverter a ordem, antes de privilégios para alguns, com um estilo e uma organização, poder criar nova ordem, onde o prazer e a pessoa possam estar no centro, de modo a realizar suas potencialidades.

Vivemos momentos assim em nossa história, quando nos deparamos com a organização do Fórum Social Mundial, com a busca de “outro mundo possível”, que tem essa idéia de subversão, dizendo um não a esta ordem que está posta, criticando a concentração de renda que está em poucos, de modo que alguns têm demais, com todo luxo, e a maioria não possui o necessário para sobreviver, vivendo do lixo, como os ratos.

Somos convocados/as a construir projetos de vida, a compreender como estão estruturadas essas lógicas do sistema neoliberal para romper, desde o modo de andar, modo de organizar nossas atividades, nos relacionar, criando, desde o pequeno, estruturas que vão estabelecendo a possibilidade de vários projetos de vida, em todos os níveis: pessoal, comunitário e societário.


O filme é uma ferramenta importante para o debate para além da comida. É um convite a pensar projetos de vida, onde subverter a ordem significa instaurar a vida em abundância para todos/as.




Carmem Lucia Teixeira

CAJU – Abril de 2008


Artigo disponível em: http://www.casadajuventude.org.br/index.php?option=content&task=view&id=1891&Itemid=0

AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA TÊM IDADE, CLASSE SOCIAL E COR.





As vítimas da violência têm idade, classe social e cor.


Já no clima da CF 2009 e da Companha contra a violência e ao exterminio de jovens, um artigo para aperitivar nossas discussões. As vítimas da violência têm idade, classe social e cor. “Como poderiam os oprimidos dar início à violência, se eles são o resultado de uma violência anterior?” (Paulo Freire).


Surpreendentemente a juventude é encarada como protagonista da violência no país. A inversão dos fatos assombra, sendo que na grande maioria das vezes é a Juventude vítima das violências. Para além da violência física cometida pelos governos repressivos, o racismo, o machismo, a homofobia, a discriminação com a juventude, são expressões da violência psicológica contra as ditas minorias sociais, os principais alvos da segregação social: mulheres, negros, indígenas, homossexuais, empobrecidos e jovens.



O racismo, por exemplo, é encarado como superado pelo senso comum e pela grande mídia. Será mesmo? A realidade das universidades comparada à realidade dos presídios, não seria o racismo materializado? A discriminação social e racial transcendeu os muros ideológicos, agora também é coisa concreta: dividem objetivamente a sociedade, tornando os presídios cada vez mais pobres e mais negros, e as universidades, mais brancas e mais ricas, por exemplo.



“Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado”.



A nossa história está marcada pela violência dos poderosos contra os mais fracos, por isso ainda reflete o extermínio. Ela se inicia com o massacre de índios, com a exploração da mulher pelo homem, com a escravidão dos e das negras, concebidos todos e todas como coisa, não gente. Segundo Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros - 2008, entre 1996 e 2006 o índice de homicídios na população jovem teve um aumento de 31,3% enquanto na população total foi de 20%.



A pobreza tem cor, e no Brasil ela é negra. Os negros apresentam um índice de vitimização 73,1% superior aos brancos na população total e 85,3% superior na juventude. A violência contra os povos indígenas, ocorrida entre os anos de 2006 e 2007, aumentou mais de 60%, sendo a maioria jovens. A falta de demarcação das terras indígenas continua a ser o principal problema gerador de conflitos.



Sete milhões de jovens brasileiros, o dobro da população do Uruguai, não trabalham nem estudam. Se verificarmos a faixa etária nos presídios brasileiros, como afirma a Pastoral Carcerária, vamos constatar que os presos são em geral jovens, pobres, analfabetos e negros. Entretanto, a CNBB, no Texto-Base da CF 2009, nos alerta para as injustiças geradas ao associar pobreza à violência, pois, vemos que ela se manifesta em todas as camadas sociais, embora, seja a classe pobre a que mais sofre discriminação, sobretudo os jovens que muitas vezes são rotulados como delinqüentes, são excluídos e marginalizados.



Nossos jovens estão sendo exterminados dentro e fora dos presídios, “só no Distrito Federal, segundo dados do Ministério Público, entre 2003 e 2005, 178 jovens foram mortos enquanto cumpriam medida sócio educativa”. A realidade das penitenciárias brasileiras desumaniza as maiorias que não têm poder político ou econômico que lhes assegure gozar de privilégios, ao invés de reabilitar, funcionam como escolas do crime e promovem a violência.



A juventude, negra, indígena, branca, mulher e homem, homo e heterossexual, trabalhadora e desempregada, estudante e sem escola/ universidade, é capaz de reverter a lógica da violência, da exclusão étnica e social. Organizar-se, ocupar os espaços, movimentar as cidades, o campo, as escolas, reivindicar direitos, propor mudanças estruturais e urgentes, ideológicas e objetivas. Somente a própria juventude é capaz de combater as violências que a extermina.



Por acreditar nisso, as Pastorais da Juventude do Brasil – PJB está promovendo em todo o país, uma grande Campanha contra a violência e extermínio de jovens, em consonância com a Campanha da Fraternidade 2009 que propõe o debate sobre segurança pública. Todos/as são convocados a entrar nesta luta em defesa da vida!





Sugestões para desenvolver a Campanha:




• Trabalhar o conceito de violência em suas diversas formas: física, estrutural e simbólica, alargando o conceito que temos no senso comum;




• Incluir o tema da segurança pública, violência (dentro e fora da escola) e extermínio de jovens no planejamento escolar, tornando-o eixo transversal;




• Promover seminários, oficinas e palestras durante a campanha Contra a violência e Extermínio de Jovens (2009 e 2010), enfocando principalmente as causas do problema e apresentando possíveis soluções;




• Promover atividades lúdico-recreativas com a temática, (permitindo que os/as jovens mostrem livremente sua percepção desta problemática). Como por exemplo, festival de música, poesia e teatro, gincanas, etc;




• Criar grupos de reflexão sobre a violência, articulando-os a outras redes de discussão e manifestar-se diante de todas as formas de violência com abaixo-assinados, faixas, cartazes, passeatas, etc;




• Incentivar pesquisas sobre os índices de violência no local e a partir daí, desenvolver a produção de textos que podem ser trabalhados na comunidade;




• Atuar na perspectiva de mídia alternativa para divulgação dos trabalhos na linha da promoção dos direitos e cidadania, contra a violência e a favor da cultura da paz;




• Trabalhar a Semana da Cidadania no mês de abril nas escolas;




• Incentivar o engajamento dos/as jovens em comissões de direitos humanos (onde existem) para acompanhar o tratamento das políticas com relação aos/as jovens detentos/as, delinqüentes ou não. Onde não existem estas comissões, incentivar a criação das mesmas;




• Promover um amplo debate sobre a Redução da Maioridade Penal, fornecendo subsídios diversos à juventude estudantil e grupos de jovens, potencializando-os na tomada de posições, o que pode ser expandido para a população em geral.


















Tábata Silveira


Estudante de Direito


PJE – Sapucaia do Sul – RS e Secretária Nacional


















Maria Aparecida de J. Silva


Bacharel em Teologia pelo ISTEPAB – Instituto Superior de Teologia e Pastoral de Bonfim – Bahia e articuladora Nacional da PJB


























sábado, 17 de janeiro de 2009

O ATAQUE VIOLENTO A FAMÍLIA E AOS VALORES CRISTÃOS DIANTE DOS NOSSOS OLHOS.


O ATAQUE VIOLENTO A FAMÍLIA E AOS VALORES CRISTÃOS DIANTE DOS NOSSOS OLHOS.


Estava em casa fazendo a parte mais chata de ser professor, ou seja, organizando o diário escolar, quando parei por alguns minutos para descansar a mente. Liguei a televisão e estava começando a exibição do último capítulo da novela A Favorita. Como eu amo o dom da interpretação (e convenhamos, o elenco desta novela, no quesito interpretação deu um show à parte), resolvi assistir. Pobre da minha mente, pois não descansou nem 1 minuto durante 1 hora e meia de ataque violento a família e aos valores cristãos, em pleno horário nobre.

No início da novela, o primeiro bombardeio: Lara, a filha da vilã Flora, diante da provocação da mesma, atira na sua própria mãe. Tudo bem que a tal mãe era uma personagem que tinha aprontado todas e que demonstrava total ódio e desprezo pela filha. Mas mãe é mãe, por mais que seja o pior do ser humano, não justifica um filho levantar um polegar contra ela. E o pior, é que muitas pessoas, infelizmente muitos irmãos católicos, vibraram com a cena e até alguns ficaram chateados porque a mocinha não deu um tiro fatal na mãe vilã.

Outra cena mostra a personagem Catarina, uma senhora que teve uma triste experiência de vida conjugal, que às vésperas do casamento, termina o noivado, dando um belo discurso, falando que sentia fome de liberdade. Quem assistiu atentamente essa cena chega à conclusão que o casamento é a coisa mais triste que existe no mundo, que é uma prisão, uma escravidão. Agora eu me pergunto: se o casamento é tudo isso dito pela Catarina, por que Jesus fez seu primeiro milagre, mesmo não sendo sua hora, justamente numa festa de casamento? E por qual motivo Ele instituiu o sacramento do Matrimônio? Para sermos pessoas presas, amarguradas? Com certeza o Jesus jamais faria isso conosco.

Logo após o belo discurso anti-sacramento do matrimônio dado pela personagem Catarina, a filha desta personagem recebe a visita do pai, recém-saído da prisão que praticamente se humilha para pedi perdão, algo que a filha não concede e ainda o humilha mais, contrariando o que mais Jesus nos pediu na sua caminhada terrestre: o perdão. Se uma filha não concede o perdão a um pai que cometeu várias atrocidades, mas que teve a coragem de chegar diante dela e pedi perdão, que obrigação ela terá de perdoar uma pessoa que aprontar com ela e não tenha laços familiares com ela? Será que ela ensinará a sua filinha recém-nascida os setenta vezes sete perdões que Jesus nos ordena e que ela simplesmente ignorou com seu próprio pai?

Teve mais bombardeio apenas neste capítulo da novela: A “Família” formada por duas mulheres e um homem, os senhores que após casamentos com outras pessoas finalmente tiveram o esperado final feliz, as mulheres que viajaram juntas (Catarina, a senhora do discurso, numa mensagem direta pró-união homossexual), foram as mensagens dadas pelo inimigo de Deus para desprezar o que ele tem mais inveja de nós, humanos e filhos de Deus: a família.

Sei que alguns que estão lendo este artigo devem pensar que eu estou pegando pesado e que a novela é apenas ficção. De fato são, mas o nosso povo brasileiro, tão carente de cultura sadia, fazem das novelas suas educadoras, pois elas ditam normas, modas e principalmente comportamento. Foram as próprias novelas que introduziram na sociedade brasileira valores anticristãos contra a família, que hoje viraram práticas costumeiras e está enraizado no pensamento de muitos, até mesmo em muitos membros da Igreja. Ou alguém não lembra que foi o seriado Malhação que nos seus primeiros dias de exibição lançou para os jovens de todo Brasil a prática do “fica”? Que outras novelas introduziram no horário nobre temas como produção independente, aborto, casamento homossexual e tantos outros temas que ferem violentamente os valores familiares instituídos pelo próprio Deus?

Evidente que as novelas não as únicas culpadas por essa situação de relativismo em relação aos valores cristãos. O pastor batista norte-americano Martin Luther King certa vez disse: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. De fato, temos nossa parcela de culpa. Afinal, o que estamos fazendo para propagar os valores do Evangelho? Será que todos, como cristãos católicos batizados que somos, estamos nos opondo a esses ataques do inimigo de Deus?

Quero salientar que não tenho nada contra o autor e os atores que participaram desta novela de sucesso. Muito pelo contrário, até os parabenizo por saber usar o lindo dom de interpretar dado por Deus a cada um deles. Quero apenas neste artigo despertar em nós cristãos católicos, em especial os jovens, o senso crítico diante de tanto bombardeios ao Evangelho. Devemos está vigilantes e orantes para não cairmos nas ciladas que o encardido nos arma.

O quarto mandamento da Lei de Deus é Honrar pai e mãe. No decorre de toda Palavra de Deus, encontramos vários versículos que só reafirmam esse mandamento e nos mostra a importância de uma família. Tem um ditado popular que resume bem a importância da família: Família é um pedaço de Deus na Terra. Façamos da nossa família um espelho da Sagrada Família de Nazaré.


Rick Pinheiro
Teológo, professor de Ensino Religioso, Bacharel em Direito e coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Maceió.

CRISTIANISMO E ESPIRITISMO: UMA MISTURA QUE NÃO DAR CERTO.


CRISTIANISMO E ESPIRITISMO: UMA MISTURA QUE NÃO DAR CERTO.


Já não é de hoje que a doutrina espírita é vastamente divulgada pela mídia, em especial, pela Rede Globo de Televisão que usa o que há de melhor nela para difundir o espiritismo: A teledramaturgia. Há pouco tempo atrás, praticamente todas as novelas da grade de programação da emissora e até mesmo programas jornalísticos como Linha Direta abordavam o espiritismo. A novela “A Viagem”, por exemplo, foi exibida por três vezes. Isso sem falar na versão antiga dos anos 70 que também foi exibida por mais de uma vez. No momento que escrevo este artigo, estão sendo exibidas duas novelas da emissora abordam o tema. Uma delas comete um “gravíssimo erro” que atrai os eleitos de Deus desavisados: “Profeta” é aquele que anuncia e denuncia em nome de Deus e no caso do protagonista da mencionada novela ele é um “Vidente”.
Mas não podemos ser insensatos e condenar a Rede Globo por difundir a doutrina espírita, pois os seus fundadores e diretores são adeptos desta. Caso contrário teríamos que condenar a Canção Nova, por exemplo, por levar a muitos lares a mensagem do Evangelho. No Brasil a liberdade religiosa é assegurada pela Lei Máxima do País, a Constituição Federal, desde que haja o respeito à liberdade de culto e a liturgia de cada credo religioso. Aliás, respeito que a referida emissora não tem por nós católicos, pois sempre somos mostrados como tarados, pervertidos, frustrados, chatos, caretas, cruéis e velhos chatos (nesses mais de 10 anos de Malhação, alguém viu um jovem cristão entre os personagens? Um grupo jovem? Um encontro ao estilo EJC? Se apareceu alguma vez, por favor, me alertem para que eu não seja injusto).

O que me preocupa é o número considerável de católicos que são simpatizantes e até adeptos do Espiritismo. Vão as Missas aos domingos e durante a semana vão a sessões espíritas. Devemos lembrar que Jesus mesmo nos diz que “não devemos servir a dois senhores”. Muitos destes nossos irmãos caem na cilada do inimigo de Deus e aceitam a doutrina espírita por ignorância e até mesmo acham que é um complemento para sua fé católica.

Todos nós, como cristãos batizados, temos a missão de levar a Boa-Nova a todos que mais necessitam. Vale esclarecer que não podemos forçar ninguém a concordar conosco ou fazer guerra contra qualquer doutrina diferente da nossa, mas temos que fazer a nossa parte como discípulos e missionários de Cristo, ou seja, levar a nossa doutrina a todos. Para isso precisamos nos abastecer, buscando na Palavra de Deus, no Catecismo da Igreja, no Magistério da Igreja as dúvidas e os erros de fé mais freqüentes do povo de Deus.

Para esclarecemos que a doutrina espírita de fato é oposta ao que Jesus prega vamos dar uma pesquisada, primeiramente na Palavra de Deus. No livro do Levítico, Deus nos ordena: “Não vos dirijais aos espíritos nem aos adivinhos: não os consulteis para que não sejais contaminados por eles” (Lev. 19,31). No livro do Deuteronômio Ele nos ordena: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou filha (Obs: Prática de magia negra), nem que se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, aos feiticismos, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos, porque o Senhor abomina aqueles que se dão a essas práticas... (Deut 18, 9-13).

O espiritismo kardecista nega pelo menos 40 verdades da fé cristã, entre elas a mais grave é Negar nossa redenção por Cristo. Para esta doutrina Jesus Cristo não passa de um espírito muito evoluído através das suas sucessivas reencarnações e a salvação decorre não da graça de Deus, mas do esforço pessoal de cada indivíduo que procure se purificar dos seus pecados cometidos em encarnações anteriores.

Diante do pouco exposto aqui podemos constatar que Cristianismo e espiritismo não caminham lado a lado. Devemos alertar aos nossos familiares e amigos que se deram a essas práticas abominadas por Deus a imediatamente abandoná-las, procurar um sacerdote e, de fato, se purificar deste pecado pelo sacramento da Reconciliação, fazendo o propósito de nunca mais se deixar levar por essa prática oferecida pelo inimigo de Deus. Vale lembrar que também se faz necessário destruir todo material (livros, imagens, gravuras, etc.), usadas nas sessões espíritas e para difundir sua doutrina.

Quanto à questão abordada do início deste texto é simples: da mesma forma que temos a liberdade religiosa em nosso país, temos também a liberdade de deixar entrar em nossas casas o que de fato serve para edificar a nossa família. Basta apenas um clique no controle remoto da televisão.
Para nos aprofundamos mais nesta e em outras doutrinas, sugiro dois livros que me ajudaram a escrever este artigo: Crenças, Religiões, Igrejas e seitas: Quem são? – D. Estevão Bettencourt e Falsas Doutrinas, Seitas e Religiões – Prof. Felipe Aquino.

Por fim quero relatar um fato do início da minha caminhada com Cristo. Estava na “Escola da Fé”, curso que a nossa Arquidiocese oferece aos catequistas, quando uma catequista perguntou a irmã religiosa que estava palestrando sobre o que ela achava do espiritismo. Essa irmã, numa sabedoria digna do meu amigo Marivan, sorriu e respondeu: “Deus é perfeito, logo Ele não repete”. Fica essa mensagem para todos nós.

Rick Pinheiro
Teológo, professor de Ensino Religioso, Bacharel em Direito e coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Maceió.

PAI AMOROSO



PAI AMOROSO


Certa manhã estava me dirigindo a faculdade vi uma cena corriqueira, mas que me chamou atenção naquele momento: um menino aparentando ter no máximo uns cinco anos, chorando, aos berros, enquanto a mãe tranqüilamente o segurava pelos braços e caminhava. Ao cruzar por eles descobrir o motivo daquele “barraco” protagonizado pelo garotinho: ele simplesmente queria que a mãe o largasse para que ele pudesse atravessar correndo a avenida até a Praça Centenário. A mãe sem perder a paciência e numa calma impressionante, mesmo diante do “dramalhão mexicano” do filho, explicava o porquê não deixá-lo fazer sua vontade, o quanto era perigoso ele atravessar com o sinal verde para os carros, que o amava e estava fazendo aquilo para o bem dele.


Essa cena tão comum em qualquer lugar do mundo chamou-me atenção naquele dia porque compreendi ainda mais o quanto Deus é um Pai amoroso. Alguns dias antes de ter testemunhado a citada cena, tinha lido a seguinte passagem do Evangelho: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á”.(Mt 7, 7-8). Após ler essa passagem e fazer a devida meditação sobre ela, num momento de fraqueza na fé, fiquei com uma dúvida: Por quê nem sempre que pedimos algo a Deus somos atendidos? Por mais que peçamos com muita fé que, por exemplo, aquele nosso ente querido seja curado, aquele emprego seja nosso, que depois de estudarmos tanto possamos passar no vestibular, entre outros pedidos, não somos atendidos por Deus?

Deus como Pai amoroso que é, não deixa-nos uma dúvida sequer em nossa vida. Ele sempre mostra as respostas para os nossos questionamentos. A minha resposta foi ao ver àquela mãe, entendi que Deus é como ela, ou seja, Ele sabe o que é melhor para nós.

Muitas vezes somos como aquele menino. Quantas vezes na nossa vida nos revoltamos contra Deus, reclamamos, choramos, armamos verdadeiros barracos, porque o que pedimos não foi atendido? Jesus disse “Pedi e receberei”, mas na prática pedimos e não somos atendidos. Estamos então diante de uma controvérsia entre o que Ele disse e o que de fato ocorre?

Lógico que não, pois em Deus não há contradição. Na verdade o problema não é que Jesus disse uma coisa no Evangelho e na prática é outra, pois Deus nunca muda. O problema é que não sabemos pedi o que é certo para nós. Temos que ter a compreensão que nem sempre o que queremos é bom para nós. Se naquele momento o nosso ente querido não foi curado, aquele emprego não foi nosso, nem passamos no vestibular é porque, com certeza, Deus tem preparado algo muito melhor para nós.

Deus sempre está nos falando e até nos mostra o porquê de não ter atendido os nossos pedidos. Ele faz isso não que nos deva satisfação, e Ele não deve mesmo, mas Ele faz isso como Pai amoroso que é. Ele faz o impossível para abrir os nossos olhos.

Deus é capaz de tudo. Aliás, como uma canção que eu ouvir num encontro que eu participei recentemente: “Deus só não é capaz de deixa de te amar”. O amor de Deus por nós é infinito e imenso. Se Ele não atende os nossos pedidos, por mais que seja para nós o melhor pedido de todos, como por exemplo, a cura de alguém, com certeza não é porque Ele não ama a cada um de nós, mas porque Ele sabe o que é melhor.

Nesse meu curto tempo de caminhada cristã, aprendi que nem sempre o nosso tempo é o tempo de Deus. Ele sabe o momento certo de cada coisa em nossa vida.

Temos que ter a consciência que Deus está sempre presente em nossa vida e como Pai amoroso que é está pronto para nos derramar suas graças. O ideal é que possamos pedir corretamente. E como fazer isso? Não nos preocupemos, pois Deus sabe o que é melhor para todos nós. Basta apenas confiarmos na sua infinita bondade.

Continuemos rezando, pedindo a Deus sem cessar. Pois Suas graças estarão sempre derramadas sobre todos nós. Como disse São Padre Pio: “Reze e espere; não te agites. A agitação não ajuda nada. Deus é misericordioso e escutará a tua oração”.


Rick Pinheiro
Teológo, professor de Ensino Religioso, Bacharel em Direito e coordenador da equipe arquidiocesana da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Maceió.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

AI DE MIM SE NÃO EVANGELIZAR!



Aí de Mim se não evangelizar!

Na minha pouca experiência na caminhada com Cristo, visitei vários grupos de jovens e participei de vários encontros e retiros. Nestas oportunidades que Deus me concedeu nesses quase 15 anos de missão, fiz vários amigos e mantive conversas francas com diversos jovens, em especial, coordenadores de grupos.

No geral, os temas destas amigáveis conversas são as dificuldades que os grupos passam na missão evangelizadora da Igreja de Cristo. Praticamente unânime a grande dificuldade: A FALTA DE FORMAÇÃO.

Diante dessa dificuldade resolvi criar o blog Evangeliza Juventude, para oferecer aos jovens mais um instrumento de formação. Não sou melhor que ninguém ou sei tudo sobre as coisas de Deus, pois "tudo sei que nada sei". Mas senti em meu coração o chamado de ser mais uma gota no oceano de formação que a nossa Igreja oferece a todos nós.

Semanalmente irei postar diversos artigos, pesquisados em sites católicos, como também livros e documentos da nossa Igreja, e alguns artigos de minha autoria. Os artigos aqui publicados não serão apagados, mas para uma melhor visualização de todos os artigos sugiro que ou clique no ano (2009) no cabeçalho do índice ou no final de cada página clique em postagens mais antigas.

Você está INTIMADO a contribuir com o nosso blog.

Mande seu artigo ou sugestão de assuntos que gostaria de ser abordado aqui para
rickcristorei@hotmail.com ou pastoraldajuventude_al@yahoo.com.br.

Espero com a graça de Deus que este humilde blog possa ser instrumento para levar a Luz de Cristo aos jovens que estão na escuridão, como também sirva de subsídio para os grupos de jovens debaterem em suas reuniões.

Que a Santíssima Trindade possa iluminar a todos nós!

Rick Pinheiro.
Teológo, Professor de Ensino Religioso, Bacharel em Direito e Coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Maceió.

VER DEUS


Ver Deus

Estamos muito acostumados à nossa visão material e sensível das coisas. Não é fácil imaginarmos quem e como é o Criador. Por via indireta, a natureza, concluímos sobre a grandeza d'Ele, que tudo fez. Enxergamos a vida e queremos ter prazer palpável. Até lutamos para ter o que é material e mesmo o crescimento no conhecimento, aumentando em nosso cérebro muitas informações usadas para nos beneficiar.
Mas, a um dado momento há quem pergunte: para que tudo isso?
O questionamento continua quando nos deparamos com nossas deficiências, nossa incapacidade para adquirirmos tantas coisas e superarmos problemas, quando ficamos doentes e nos aproximamos da realidade da morte.
Deus, sabendo da nossa visão muito ligada ao sensível, veio mostrar-se a nós dentro dessa nossa percepção, tornando-se um de nós. Mas nos fez enxergar, além do notado pelos sentidos, a continuação da vida na eternidade. Sem esta, nossa história na terra se torna verdadeira decepção.
Construiríamos verdadeiro castelo e ele se acabaria com sua destruição. Aliás, podemos até pensar nas mansões terrestres, no acúmulo de terras, fortunas, diplomas e obras realizadas, se tudo fosse apenas para fazermos nome para os outros dizerem algo de nós no futuro. Mas, mesmo este nome no futuro fica, em grande parte, esquecido!
Na realidade da vida de sentido, apresentada por Jesus, vale a pena construir a boa cidade terrestre, mas para o serviço à comunidade, a partir dos mais excluídos de vida digna, na convivência do amor. Este é oblativo e nos faz ser doadores de vida para termos o direito de ver a Deus de modo imensamente feliz na eternidade. A visão do que é terreno como finalidade não dá base para se conquistar o banquete celeste de modo feliz. Para nós, sozinhos, isto é um desafio imenso. Mas, para Deus, nosso esforço nessa direção redunda em possibilidade de atingirmos o objetivo último da caminhada terrestre.
Embora nossa tendência seja para a fixação no que é terreno, seguindo os passos do Divino Mestre conseguimos acertar mais a direção de nossa caminhada, com seu significado mais elevado. Muitos têm dado verdadeiro exemplo nessa direção. Quantos entes queridos, lembrados no dia dos falecidos, nos ensinaram a viver a fé com perseverança e doação no amor a Deus e ao próximo! Eles são benditos, verdadeiramente felizes, contemplando o Senhor na eternidade!
Transformar a cidade terrestre em convivência de irmãos e irmãs é nosso grande desafio e nossa nobre missão. Temos a maior razão para isso. Conseguiremos ser pessoas de grandeza diante de todos porque o próprio Deus nos ensina a sermos grandes no amor. Quem isto faz é capaz de ser humilde e serviçal. Educado e trabalhador para o bem da família, da comunidade e de toda a humanidade. Para se conseguir um lugar junto ao Divino, precisamos ser verdadeiramente humanos na terra. Cristo fez isto. Promete-nos também a vida plena depois de O termos imitado na doação de nós, desenvolvendo os talentos por Ele a nós outorgados e colocando-os a serviço do bem, da justiça e da convivência fraterna. Vida feliz com Deus na eternidade é conquistada através da vida presente com Ele mesmo em cada pessoa na vida terrena.
José Alberto Moura
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG
Fonte: CNBB